O controle da pressão alta avançou para um novo patamar com os resultados do ensaio clínico KARDIA-2. O estudo investigou a eficácia do zilebesiran, um medicamento injetável experimental que atua no RNA para inibir a produção de angiotensinogênio no fígado, proteína essencial na regulação da pressão arterial. Com uma única aplicação subcutânea, a substância demonstrou capacidade de manter a redução dos níveis pressóricos por até seis meses.
A pesquisa acompanhou 663 adultos que não conseguiam atingir as metas de controle apenas com tratamentos convencionais. Os voluntários foram divididos para receber a injeção ou um placebo, somados a medicamentos já estabelecidos como anlodipino ou olmesartana. Ao final de três meses, o grupo que utilizou o zilebesiran apresentou uma queda adicional significativa na pressão sistólica média de 24 horas, efeito que se mostrou sustentado até o sexto mês de monitoramento.
A principal vantagem da nova terapia é o enfrentamento da baixa adesão ao tratamento diário. Atualmente, a necessidade de ingerir comprimidos todos os dias faz com que muitos pacientes abandonem ou esqueçam as doses, elevando o risco de infartos e AVCs. A aplicação semestral garante uma estabilidade maior nos níveis de pressão, independentemente da rotina do paciente.
Embora os dados da fase 2 sejam animadores e mostrem boa tolerabilidade, com poucos efeitos adversos leves no local da aplicação, a comunidade científica aguarda os resultados de estudos de fase 3. Essas próximas etapas envolverão um número maior de participantes e períodos mais longos de observação para consolidar a segurança e os benefícios cardiovasculares antes da aprovação definitiva pelas agências reguladoras.





