Mesmo com milhões de brasileiros envelhecendo e convivendo com dores incapacitantes, o Ministério da Saúde decidiu barrar a incorporação da vacina contra o herpes-zóster no SUS. A mensagem foi clara: a vacina até funciona, mas custa caro demais para entrar na lista de prioridades do sistema público.
A decisão veio após análise da Conitec, que reconheceu a eficácia do imunizante, mas concluiu que prevenir é caro demais, enquanto tratar as complicações depois segue sendo um custo aceitável. O herpes-zóster, conhecido como “cobreiro”, é causado pela reativação do vírus da catapora e pode provocar dores crônicas intensas, sequelas neurológicas e sofrimento prolongado, especialmente em idosos.
A vacina é recomendada principalmente para pessoas acima dos 50 anos e imunossuprimidos. No entanto, no Brasil, quem quiser se proteger terá que abrir a carteira: o imunizante segue restrito à rede privada, com valores que passam facilmente da casa dos milhares de reais.
Na prática, a decisão cria dois grupos bem definidos: quem pode pagar e quem deve torcer para não adoecer. Enquanto isso, o SUS continua arcando com internações, tratamentos prolongados e afastamentos do trabalho causados por uma doença que poderia ser amplamente evitada.
O Ministério da Saúde informou que o tema poderá ser reavaliado no futuro. Traduzindo: talvez um dia, quando o preço cair ou quando a dor alheia virar estatística demais para ser ignorada.
Até lá, a vacina segue fora do SUS. O vírus, esse sim, continua liberado.






