O preconceito e o discurso de ódio contra nordestinos nas redes sociais registraram um crescimento alarmante de 821% durante o período das eleições presidenciais de 2022 no Brasil. O dado faz parte de uma pesquisa acadêmica que analisou milhões de publicações feitas na internet ao longo da campanha eleitoral.
O levantamento apontou que, à medida que o processo eleitoral avançava, especialmente nos meses próximos ao primeiro e ao segundo turno, houve um aumento expressivo de mensagens ofensivas direcionadas à população nordestina. Termos pejorativos e estereótipos passaram a ser associados com frequência à região e aos seus habitantes, evidenciando a intensificação da xenofobia digital motivada por disputas políticas.
Segundo os pesquisadores, no início do período analisado as menções ao Nordeste eram majoritariamente neutras, relacionadas a aspectos geográficos ou culturais. No entanto, com a polarização política, o cenário mudou drasticamente, dando espaço a ataques que reforçam desigualdades históricas e preconceitos regionais.
O estudo utilizou técnicas avançadas de análise de linguagem, com apoio de inteligência artificial, para identificar padrões de discurso de ódio sem depender apenas de palavras previamente classificadas como ofensivas. Isso permitiu detectar mudanças sutis e progressivas na forma como os nordestinos passaram a ser retratados nas redes.
Além da xenofobia regional, a pesquisa também identificou crescimento de outros tipos de discurso de ódio no mesmo período, como ataques misóginos e intolerância religiosa, indicando um ambiente digital mais hostil durante o processo eleitoral.
Especialistas alertam que o preconceito regional pode configurar crime, uma vez que a legislação brasileira equipara a xenofobia ao racismo. O estudo reforça a necessidade de maior responsabilização nas plataformas digitais e de ações educativas para combater o ódio online.
Fonte: Agência FAPESP / Pesquisa da Universidade Federal de São Carlos






