A saúde mental dos professores ganhou espaço oficial dentro das normas de segurança do trabalho no Brasil. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, passou a incluir os riscos psicossociais — como estresse, burnout, ansiedade, assédio moral e sobrecarga emocional — no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), tornando obrigatória a prevenção desses problemas também nas escolas.
A mudança ocorre em meio ao aumento alarmante do adoecimento mental entre educadores. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam crescimento de 66% nos afastamentos por saúde mental entre profissionais do Ensino Básico entre 2023 e 2024. Já informações do INSS mostram que os afastamentos por ansiedade e depressão ultrapassaram 288 mil casos no país, sendo a área da educação uma das mais afetadas.
Pesquisas também revelam o tamanho do desgaste enfrentado dentro das salas de aula. Um levantamento divulgado pelo TRT de Santa Catarina mostrou que 53% dos professores relatam ansiedade e insegurança psicológica ligadas ao trabalho, enquanto 44% afirmam sofrer com esgotamento mental e sintomas de burnout. Além disso, quase 70% disseram já ter trabalhado mesmo estando doentes.
Especialistas apontam que fatores como excesso de burocracia, pressão por resultados, violência escolar, indisciplina, cobrança constante das famílias, jornadas extensas e falta de valorização profissional estão entre as principais causas do adoecimento psicológico da categoria. Com a nova NR-1, escolas e instituições de ensino deverão identificar, avaliar e criar medidas para reduzir esses riscos no ambiente de trabalho.
A atualização da norma já está em vigor em caráter educativo e orientativo. As fiscalizações com possibilidade de punições e autuações passam a valer oficialmente a partir de maio de 2026.





