Ficar extremamente irritado, ansioso ou com vontade de fugir ao ouvir alguém respirando, mastigando, pigarreando ou batendo caneta não é “frescura” nem falta de educação.
Trata-se da misofonia, uma condição neurológica em que sons repetitivos e de baixa intensidade ativam de forma exagerada áreas do cérebro ligadas à emoção e à percepção de ameaça.
Estudos de neuroimagem (como fMRI) mostram que, em pessoas com misofonia, esses sons desencadeiam maior atividade no córtex insular, no cíngulo anterior e em regiões motoras orofaciais, gerando respostas emocionais e fisiológicas intensas como aumento dos batimentos cardíacos, tensão muscular e sensação de nojo ou raiva.
A condição afeta estimados 5% a 20% da população em diferentes graus e pode impactar significativamente relacionamentos, trabalho e qualidade de vida. Não se trata de problema no ouvido, mas de um processamento alterado no cérebro, com possível componente genético e ligação a traços como menor flexibilidade cognitiva.
Especialistas reforçam: entender que a reação não é uma escolha ajuda a substituir julgamento por empatia. O tratamento geralmente envolve terapia cognitivo-comportamental adaptada, técnicas de dessensibilização, uso de ruído branco e, em alguns casos, acompanhamento com neurologista ou psiquiatra.
Se você ou alguém próximo sente irritação desproporcional com sons do dia a dia, procurar ajuda profissional pode fazer grande diferença.





