O governo federal intensificou os sinais de que deve recuar em relação à taxação de compras internacionais de até 50 dólares. O movimento ganhou força após declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro José Guimarães, que agora defendem abertamente a revisão do tributo sancionado pelo presidente Lula. A articulação busca reverter a impopularidade da medida, conhecida como taxa das blusinhas, que gerou forte resistência entre consumidores e nas redes sociais.
A mudança de postura de Alckmin, que coordena a pasta do Desenvolvimento e Indústria, sinaliza uma tentativa de equilibrar as contas públicas sem sacrificar o apoio popular das classes C e D. Ao seu lado na estratégia, José Guimarães, atual ministro e peça-chave na articulação política, passou a atuar para convencer a base aliada de que a revogação é necessária para aliviar a pressão sobre o Executivo. A medida é vista como um reconhecimento de que o custo político do imposto superou os benefícios arrecadatórios previstos inicialmente pela equipe econômica.
José Guimarães assume o protagonismo dessa negociação em um momento de consolidação de sua influência no Planalto. O ministro, que carrega em seu histórico político o episódio de grande repercussão envolvendo um ex-assessor em 2005, utiliza agora sua experiência parlamentar para mediar o conflito entre o varejo nacional, que exige isonomia tributária, e o clamor popular pela volta da isenção. O recuo estratégico do governo deve ser oficializado por meio de um novo projeto de lei ou medida provisória nos próximos dias.
A decisão final sobre o fim da taxa das blusinhas depende de um acordo com o Congresso Nacional, onde o tema divide opiniões. Enquanto setores produtivos temem a concorrência com gigantes asiáticas, a ala política do governo argumenta que manter o tributo é fornecer combustível para a oposição. Com o apoio direto de Alckmin e Guimarães, a tendência é que o Planalto busque uma saída que harmonize a proteção à indústria local com a desoneração do consumo individual.
Fontes: Agência Brasil, G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil.





