Minas Gerais vem registrando uma forte queda nos índices de reprovação escolar. O dado, apresentado como avanço pelo Governo de Minas e pelo Inep, chama atenção: no ensino médio da rede pública, a reprovação caiu de 8% em 2022 para apenas 2,3% em 2025. No mesmo período, o abandono escolar também recuou, passando de 7,5% para 2,5%.
À primeira vista, os números parecem positivos. Afinal, menos alunos repetindo e menos estudantes deixando a escola são sinais importantes de permanência escolar. Mas a queda drástica da reprovação também levanta uma pergunta que precisa ser feita: os estudantes estão avançando porque aprenderam ou porque a reprovação deixou de ser uma realidade dentro da rede?
O ponto central é que reprovação baixa não significa, automaticamente, aprendizagem alta. O próprio Censo Escolar, usado para calcular esses índices, coleta informações de rendimento e movimento escolar, como aprovação, reprovação e abandono. Ou seja, ele mostra se o aluno passou, repetiu ou deixou a escola, mas não mede sozinho se esse estudante domina leitura, escrita, interpretação e matemática no nível esperado.
Quando o assunto é alfabetização, Minas realmente aparece entre os melhores resultados do país, mas ainda não atingiu um patamar que permita comemorar como se o problema estivesse resolvido. Dados do MEC mostram que o estado chegou a 72,1% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2024, ficando em destaque nacional e na liderança da Região Sudeste.
Mesmo assim, o dado revela o outro lado da história: se 72,1% estavam alfabetizadas, cerca de 28% das crianças ainda não haviam alcançado o padrão esperado de alfabetização na idade certa. Em outras palavras, Minas avançou, mas ainda há quase três em cada dez alunos fora do nível ideal ao fim do 2º ano.
A meta nacional do Compromisso Criança Alfabetizada é chegar a pelo menos 80% das crianças alfabetizadas até 2030. Portanto, Minas está acima da média nacional, mas ainda abaixo do objetivo considerado ideal para garantir que os estudantes sigam para as próximas etapas com base sólida.
A discussão não é defender reprovação como solução. Repetir de ano, por si só, também não garante aprendizagem e pode até aumentar o risco de abandono. O problema é outro: aprovar sem recuperar a aprendizagem pode apenas empurrar a dificuldade para a série seguinte.
Por isso, a queda da reprovação em Minas precisa ser analisada com cautela. O estado pode até comemorar a permanência dos alunos na escola, mas precisa explicar como está garantindo que esses estudantes avancem de ano sabendo ler, escrever, interpretar e resolver problemas compatíveis com a etapa em que estão.
No fim, a pergunta que fica é simples e necessária: Minas está formando alunos que aprenderam ou apenas melhorando os números da aprovação?
Fontes: Inep, MEC, Agência Minas e Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais.






