Microplásticos se acumulam há mais de 20 anos em peixes de rios de Minas, revela estudo da UFLA

Peixes da bacia do Rio das Velhas, um dos principais afluentes do Rio São Francisco, acumulam microplásticos há pelo menos duas décadas, segundo pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras. O estudo analisou amostras coletadas desde 1999 e revelou que a contaminação varia conforme o nível de urbanização e o uso do solo ao redor dos rios.

A pesquisa utilizou peixes preservados ao longo de mais de 20 anos, funcionando como uma espécie de “cápsula do tempo” para entender a evolução da poluição plástica nos rios mineiros. Segundo a doutoranda Marina Ferreira Moreira, autora do estudo, os exemplares registram no próprio corpo o nível de contaminação da época em que viveram.

Os resultados apontaram diferenças importantes entre regiões. No Rio das Velhas, que corta a Região Metropolitana de Belo Horizonte, a presença de microplásticos permaneceu relativamente estável desde os anos 1990. Já em áreas mais preservadas, como o Rio Cipó, dentro do Parque Nacional da Serra do Cipó, houve tendência de redução. Em contrapartida, regiões com forte atividade agropecuária apresentaram aumento na contaminação.

O estudo também acende alerta para impactos ambientais e possíveis reflexos na cadeia alimentar humana, já que os microplásticos circulam entre os organismos aquáticos e podem chegar até alimentos consumidos pela população.

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