Azarias Ribeiro é reverenciado na 15ª Mostra Internacional de Cinema Negro

15/08/2019
Professora titular aposentada da Universidade Federal de Lavars (UFLA) e pesquisadora do Cinema Negro, Cláudia Maria Ribeiro (centro).

 

 

Aconteceu na semana de 6 a 11 de agosto, a Mostra Internacional de Cinema Negro, em São Paulo, no SESC da Vila Mariana. A Mostra está em sua 15ª Edição anual consecutiva, sendo o debate que privilegia o conhecimento, a afirmação positiva das minorias, o cinema que inquieta, se descortina como a marca da personalidade da Mostra do Cinema Negro. Segundo seu curador, o antropólogo, cineasta, escritor, professor Pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso, Celso Prudente, o Cinema Negro tem uma estética diferente, é um olhar diferente porque é intuitivo.

Este ano, a 15ª Mostra apresentou filmes que marcaram época e fizeram o diferencial na transição do cinema da forma para o cinema de conteúdo, como o filme de Haroldo Costa, Pista de Grama (1958), o grande homenageado na solenidade de abertura. Ele nos disse que seu filme foi o caminho para o ‘Cinema Novo’. Em uma cena, a música Eu não Existo sem Você, de Tom e Vinicius, foi tocada pelo então jovem João Gilberto e cantada por Elizeth Cardoso.

Entre exibições de filmes e curtas como Alma no Olho (Zózimo Bulbul/1973), Questão de Justiça (Celso Prudente/2017), Rhoma Acans (Leonor Teles/2012), O Parto (Celso Lucas e José Celso Martinez Correia/1975), Exu Rei-Abdias Nascimento (Bárbara Vento/2017), Barravento (Glauber Rocha/1961), Orfeu (Carlos Diegues/1999), Nha Fala (Flora Gomes/2002), o Documentário Ôri de Raquel Gerber/1989 e o filme que conta a trajetória dos Novos Baianos chamado de Os Filhos de João – O Admirável Mundo Novo por ter sido João Gilberto quem ‘apadrinhou’ em 1970 os Novos Baianos; a programação também contou com Mesa de Debates e Roda de Conversa.

A professora titular aposentada da UFLA, pesquisadora do Cinema Negro, Cláudia Maria Ribeiro, participou da Roda de Conversa: A construção da imagem afirmativa do ibero-afro-ásio-ameríndio, enquanto minoria, o Cinema Negro posto em questão. Em sua fala, a pesquisadora reverenciou o professor, jornalista lavrense Azarias Ribeiro, negro que, no início do século passado, se fez um visionário na formação de professoras e fundador de escolas onde música e teatro fundamentaram a educação para ele.

A 15ª Mostra Internacional do Cinema Negro, um projeto de inclusão sociocultural da juventude afrodescendente, segundo seu curador, Celso Prudente, lançou este ano uma obra com artigos de cineastas falando sobre seus filmes, acadêmicos, professoras e professores da área do áudio visual, pesquisadoras e pesquisadores de diversas vertentes que têm em comum as discussões das minorias, da valorização das identidades negras e diversidade.

A pesquisadora Cláudia Ribeiro, participa da obra discorrendo sobre seus estudos e pesquisas por três meses em Sevilha – Espanha. Seu artigo intitulado: Imaginário das Águas Andaluzas para surfar pela invisibilidade dos negros e negras de Sevilha, foi apresentado em sua fala, reforçando a criação de um movimento intempestivo do pensamento e reafirmando os processos históricos na construção de um roteiro que é símbolo da dinâmica da vida!

Também foi homenageada a professora do ITA, Física e educadora Dra. Sônia Guimarães por sua imagem de afirmação positiva de afrodescendentes e de todas as minorias. Ainda no campo das homenagens, aconteceu a entrega “in memorian” do certificado de pós doutor ao artista, procurador e jurista Wilson Prudente e nesta solenidade estavam professores e professoras da Escola de Comunicação e Artes da USP, juristas, conselheiras e conselheiros da OAB/Rio de Janeiro, Cônsul de Cabo Verde e representante do consulado da África do Sul, economistas, integrantes do Movimento Negro Unificado, músicos, artistas que unindo forças e resistências afirmam as lutas positivas e reafirmam a história.

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