“Cigano”: Mais antigo barbeiro em atividade de Lavras anuncia aposentadoria

21/07/2018
Ananias Antônio dos Santos, o “Cigano”: “Quero agradecer a força e amizade do povo lavrense. Não tive clientes, tive amigos”.

Ananias Antônio dos Santos decidiu pendurar a tesoura. O mais longevo barbeiro em atividade na cidade vai se aposentar de vez. Popularmente conhecido como “Cigano”, ele está na praça há 70 anos.

O barbeiro perdeu as contas de quantos cabelos cortou ao longo da carreira. Aprendeu a profissão com o irmão, José dos Santos, depois de se mudar da Comunidade Rural do Maranhão, onde nasceu, para Lavras. Hoje tem 86 anos bem vividos.

“Cigano” afirma que não tem mais forças para continuar no ramo. “Tenho muita câimbra nas costas. Fico muito cansado e a vista não ajuda mais”. Ele trabalhou ao lado de Benedito Alves, o “Prancha” – pai do historiador e advogado José Alves de Andrade, durante muitos anos no saudoso Salão Elite.

Há algumas semanas ele pôs o ponto do seu famoso Salão Central à venda.  O espaço, localizado na Travessa Monsenhor Aureliano – em frente à Santa Casa de Misericórdia,  serve de encontro para amigos e personalidades. O salão passou por vários endereços, mas virou um símbolo de seu trabalho.

O barbeiro foi casado com Dionísia Amaral dos Santos (falecida), mãe de seu filho Jorge dos Santos. Ele tem dois netos (Rafael e Fabinho) e um bisneto (Hilton). Atualmente é casado com Maria da Conceição Costa e pai de Guilherme Luiz dos Santos.

“Quero descansar, curtir meus netos e pescar. Os lavrenses reconheceram o meu trabalho ao longo da minha carreira. Todos que passaram por aqui foram atendidos da mesma maneira”, declarou.

O frequentador mais famoso do salão de barbeiro é José Augusto, o vulgo “Jacaré”, morador do bairro Jardim Glória, que costuma frequentar o centro de Lavras.

Uma das figuras públicas mais respeitadas pelos lavrenses, “Jacaré”  cultiva uma amizade antiga com o barbeiro. “Eu trago a marmita dele quase todos os dias, que ele mesmo paga. Ele almoça aqui. Eu também ajudo ele a contar o dinheiro”, afirma.

Torcedor doente do Atlético Mineiro, ele diz que de vez em quando costuma ir a padaria tomar uma cerveja para ver os jogos do time do coração. “Quero agradecer a força e amizade do povo lavrense. Não tive clientes, tive amigos”, finalizou “Cigano”.

 

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