O câncer de próstata é o tumor maligno mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Apesar da alta incidência, o tema ainda é cercado por medo, tabu e desinformação, o que contribui para a circulação de mitos sobre a prevenção da doença.
Um dos equívocos mais comuns é a ideia de que urinar sentado poderia reduzir o risco de desenvolver câncer de próstata. De acordo com especialistas, não há qualquer comprovação científica que relacione a posição ao urinar com a prevenção ou o surgimento do tumor.
O oncologista Márcio Almeida, da Oncoclínicas, explica que o câncer de próstata se desenvolve a partir de alterações genéticas e celulares ao longo dos anos. Entre os principais fatores de risco estão a idade, a predisposição genética, o histórico familiar, a etnia e aspectos do estilo de vida. Segundo ele, a hipótese de que urinar em pé poderia “forçar” a próstata e causar câncer não tem fundamento médico ou fisiológico.
A urologista Karin Anzolch, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), reforça que a confusão pode ter origem no fato de que urinar sentado pode facilitar o esvaziamento da bexiga em alguns casos. No entanto, ela ressalta que isso não tem relação com a prevenção do câncer, mas sim com conforto ou necessidade funcional.
Embora não reduza o risco da doença, os médicos afirmam que urinar sentado pode trazer benefícios para determinados grupos, como homens com sintomas urinários, próstata aumentada, disfunções do assoalho pélvico ou dificuldades de equilíbrio. A prática também pode ser recomendada para idosos e pessoas com risco de quedas, especialmente durante a noite.
Especialistas destacam que a melhor forma de prevenir o câncer de próstata continua sendo o acompanhamento médico regular, a realização de exames de rotina indicados para cada faixa etária e a adoção de hábitos de vida saudáveis.





