A vacina Calixcoca, desenvolvida pela UFMG, é uma esperança no tratamento da dependência de cocaína e crack. Terapêutica, não preventiva, ela induz o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam à cocaína, impedindo-a de alcançar o cérebro. Isso reduz os efeitos da droga e a compulsão, ajudando a prevenir recaídas. Testes em camundongos e primatas mostraram segurança e eficácia, como proteção a fetos de mães dependentes. A vacina usa uma molécula sintética não proteica, facilitando produção e reduzindo custos logísticos.
Iniciada em 2015, a Calixcoca prepara-se para testes em humanos, aguardando aprovação da Anvisa, com início previsto para 2025 e conclusão das fases 1 e 2 em até dois anos, se houver financiamento (cerca de R$ 30 milhões). O projeto já recebeu R$ 18,8 milhões da Fapemig, R$ 5 milhões de emendas, 500 mil euros do Prêmio Euro Inovação na Saúde e R$ 4 milhões da Prefeitura de São Paulo. A vacina venceu prêmios como o Euro Inovação na Saúde (2023) e o Veja Saúde & Oncoclínicas.
Não é uma cura, mas um complemento a tratamentos multidisciplinares. Apenas 1 em 5 dependentes mantém abstinência a longo prazo. No Brasil, segundo maior consumidor de cocaína, o crack afeta mais de 1 milhão de pessoas. A plataforma pode ser adaptada para outras drogas, mas depende de recursos. Apesar do otimismo, a eficácia em humanos ainda precisa ser comprovada, e vacinas antidrogas anteriores falharam em ensaios clínicos. A chegada ao mercado é estimada em 3 a 4 anos.





