Testemunhas de Jeová atualizam regra e passam a permitir uso do próprio sangue em cirurgias

Em uma decisão histórica anunciada nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, a liderança mundial das Testemunhas de Jeová oficializou uma mudança significativa em sua doutrina sobre o uso de sangue. Pela primeira vez, a organização autoriza que seus fiéis decidam, por consciência própria, se aceitam a remoção, o armazenamento e a posterior reinfusão de seu próprio sangue em procedimentos médicos e cirurgias planejadas
.
A atualização foi comunicada por Gerrit Lösch, membro do Corpo Governante, através de um vídeo oficial. Segundo a nova orientação, a Bíblia não comenta especificamente sobre o uso do próprio sangue do paciente em tratamentos médicos, o que transfere a responsabilidade da escolha para o indivíduo. Até então, a prática de armazenar o próprio sangue (uso autólogo) era estritamente proibida, baseada na interpretação de que o sangue retirado do corpo deveria ser “derramado no solo”.

Apesar da flexibilização para o sangue autólogo, a regra fundamental permanece: continua terminantemente proibido receber transfusões de sangue total ou de seus componentes principais (hemácias, leucócitos, plaquetas e plasma) provenientes de doadores externos. A organização reforçou que a crença na “santidade do sangue” e a obediência ao comando bíblico de “abster-se de sangue” continuam inalteradas.

A mudança deve impactar diretamente a gestão de saúde para os membros da religião, facilitando o planejamento de cirurgias complexas onde o paciente pode agora preparar seu próprio estoque sanguíneo. No entanto, especialistas e críticos observam que a medida pouco altera situações de emergência ou traumas graves, onde não há tempo para a coleta prévia do sangue do próprio paciente, mantendo o impasse ético e médico nesses casos.

No Brasil, a decisão surge meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmar, em 2025, o direito de pacientes adultos e capazes recusarem transfusões por motivos religiosos, ao mesmo tempo em que obriga o Estado a oferecer tratamentos alternativos disponíveis no sistema de saúde.

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