Sem recursos, prefeituras mineiras vão atrasar o 13º salário

Publicado em 21/12/2015

Quase um quarto das prefeituras mineiras vão atrasar o pagamento do décimo terceiro salário. Nesse quadro se encaixam tanto municípios que optaram fazer o repasse aos servidores via cota única ou de forma parcelada. Os dados, que evidenciam a crise financeira já constatada em diferentes setores, fazem parte de um levantamento divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

De acordo com o estudo, que ouviu 798 das 853 prefeituras mineiras, o recurso extra encaminhado pelo governo federal para as cidades via Fundo de Participação dos Municípios (FPM) neste mês, apesar de ajudar a aliviar a situação crítica, não é suficiente.

A estimativa de gasto total das prefeituras mineiras com o décimo terceiro é de cerca de R$ 1,5 bilhão, usados para o pagamento de mais de 700 mil funcionários públicos municipais.

“Esse dinheiro do FPM vai ajudar algumas cidades, mas em outras nem isso vai ajudar. Nossa expectativa é que mais de 80% dos municípios pequenos não consigam honrar com seus compromissos financeiros. E isso inclui outros gastos além dos salários”, afirma o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Pará de Minas, Antônio Júlio (PMDB).

Segundo levantamento da CNM, 11% das prefeituras de Minas estão com os salários atrasados e 29% já admitiram que também não têm condições de arcar com a folha de pagamento de dezembro. No âmbito nacional, o percentual de municípios que vão atrasar os salários deste mês é um pouco menor: 20%.

Aperto

Na Grande BH, a maioria das cidades deve conseguir pagar parte do décimo terceiro, mas a quitação do restante ainda não está certa.

“O recurso do governo federal deu esse alívio, mas logo chega o momento da próxima parcela e os caixas estão vazios, mesmo nas cidades maiores. Enquanto isso, os fornecedores estão sendo deixados de lado. Não há dinheiro para tudo, é preciso escolher”, ressalta o presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Granbel) e prefeito de Vespasiano, Carlos Murta (PMDB).

E as previsões para o próximo ano são bem pessimistas. Caso não haja nenhuma mudança radical no cenário político e econômico, a saída é cortar todos os gastos.

“Acredito que as prefeituras têm que tomar atitudes enérgicas e estou orientado todos a não contratar pessoas, nem realizar obras. O foco a partir de agora é tentar ao máximo respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal e evitar mais problemas”, alega Murta.

Fonte: Hoje em Dia

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