A Coca-Cola acaba de entrar no clube da “reduflação”. A empresa vai substituir as garrafas de 2 litros por versões de 1,25 litro e lançar latas menores, de 269 ml. O objetivo declarado é “adaptar” os produtos à inflação e ao bolso apertado do consumidor. Na prática, quem compra leva menos refrigerante pelo mesmo (ou por um preço que não caiu na mesma proporção) e sente o impacto no custo por litro.

Não é novidade. A reduflação redução disfarçada da quantidade ou da qualidade do produto sem redução equivalente no preço já virou estratégia padrão de diversas indústrias no Brasil. O consumidor paga o mesmo (ou até mais) e leva menos.
Exemplos que já estão nas prateleiras há anos:
- Biscoitos Piraquê: o wafer caiu de 160 g para 100 g (redução de 37,5%); o de maisena, de 200 g para 175 g.
- Barras de chocolate: muitas marcas encolheram de cerca de 180-200 g para 80-90 g, com menos cacau e mais gordura vegetal.
- Caixa de ovos: a tradicional dúzia (12 unidades) virou pacote de 10.
- Milho para pipoca: de 500 g para 400 g (20% a menos).
- Sabão em pó, molho de tomate, arroz (de 5 kg para 4,5 kg) e até papel higiênico: todos perderam peso ou quantidade sem o preço cair proporcionalmente.
Por trás da estratégia está o aumento dos custos de produção (matéria-prima, energia, embalagens). Em vez de repassar o reajuste de forma transparente no preço, as empresas optam por encolher o produto. O resultado? Lucro preservado e consumidor que só percebe a diferença depois de algum tempo ou nunca.
A crítica é dura: essa prática é uma inflação escondida que erode o poder de compra sem dar ao brasileiro a chance de comparar ou reclamar. Enquanto as marcas celebram “novos tamanhos mais acessíveis”, o custo real por grama ou por litro sobe. No fim das contas, quem perde é o bolso de quem compra.
Fique de olho na embalagem. O que parece economia pode ser só mais uma forma de pagar mais por menos.






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