Pressionado pelos EUA, Maduro aciona o chefe: “Jesus é o dono da Venezuela”

As recentes declarações de Nicolás Maduro voltaram a unir religião e política no centro do debate público. Na semana passada, o presidente afirmou que Jesus é o “dono e senhor” da Venezuela — numa declaração que soou, para muitos, como se Maduro tivesse literalmente “passado o país para Jesus”. Apesar do tom chamativo, o comentário quase não recebeu críticas de grupos evangélicos dos Estados Unidos, que costumam ser duros ao denunciar perseguições religiosas em países como a Nigéria.

O silêncio tem explicação. A Venezuela vive uma expansão acelerada do pentecostalismo, hoje presente em 30,9% da população — salto expressivo em relação aos 2,1% registrados em 2010. Diferentemente do ritmo brasileiro, que levou 50 anos para ampliar a presença evangélica de 6% para 26,9%, o crescimento venezuelano foi impulsionado por decisões políticas.

Desde 1999, Hugo Chávez reposicionou igrejas evangélicas como aliadas estratégicas, concedendo privilégios antes restritos à Igreja Católica, como influência no ensino religioso das escolas públicas. A meta era clara: reduzir o peso político católico, mais crítico ao regime. Os governos chavistas passaram então a favorecer igrejas pentecostais e a se distanciar de vertentes batistas, tradicionalmente ligadas aos EUA e mais críticas ao governo.

Com essa base religiosa alinhada ao chavismo, analistas apontam que setores evangélicos norte-americanos evitam confrontar as declarações de Maduro. O episódio evidencia como, na Venezuela, fé, política e estratégia caminham juntas — inclusive quando o presidente anuncia, sem cerimônia, que “entregou” o país a Jesus.

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