Prefeitura promete regularizar situação de hippies no centro da cidade

Publicado em 21/11/2015
A artesã Carla Regina, que trabalha h´´a cinco anos em Lavras.
A artesã Carla Regina, que trabalha h´´a cinco anos em Lavras.

A artesã Carla Regina, que trabalha h´´a cinco anos em Lavras.

A Prefeitura Municipal de Lavras pretende regularizar a situação de dezenas de artesão que ocupam as calçadas de Lavras. Os chamados hippes serão cadastrados pela Secretária de Desenvolvimento Social e poderão também futuramente ganhar um espaço para que possam trabalhar.

Essa semana representantes da categoria estiveram na Câmara Municipal de Lavras para pedir providencias quanto situação deles na região central de Lavras. Há cinco anos na cidade, Carla Regina, 39 anos, que esse reconhecimento é uma reivindicação antiga dos hippes no país, que lutam para transformar sua produção artesanal em patrimônio cultural brasileiro.

Carla Regina disse que nunca sofreu qualquer discriminação por parte da população pelo fato de ocupar o espaço público. “A gente sempre tem um sorriso para a pessoa”. Já Saimon Marino disse que já foi alvo de preconceito, pois o “hippe muitas vezes é confundido com o morador de rua”. “Eu estou não para pedir dinheiro, mas para mostrar a mina arte”, completou.

Saimon Celmo Marino, 33 anos, vive do artesanato desde 1993. “Tudo que construí foi através doa artesanato”. Ele disse que o grupo de artesãos são alvos frequentes de abordagem feitas pelos fiscais da Prefeitura Municipal e a Polícia Militar.

Os artesãos Michael Martins, o “Urso”, e Sérgio Ferreira Dias, o “Carreira Solo”, estiveram na Câmara Municipal essa semana. “Existe um público muito jovem na cidade, por isso, há uma interação com a cultura alternativa”, disse “Urso”.

Crítica

“As pessoas se incomodam com muito pouco, pois as pessoas estão ali para buscarem a sua sobrevivência”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Social, o pastor Wellington Vieira.

“As pessoas se incomodam com muito pouco, pois as pessoas estão ali para buscarem a sua sobrevivência”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Social, o pastor Wellington Vieira.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Social, o pastor Wellington Vieira, o Executivo pretende separar o que são artesão dos dependentes químicos e pedintes. A prefeitura vai disponibilizar uma carteira de identificação, impedindo que outros artesãos trabalhem na cidade sem o documento.

Indagado sobre os problemas de espaço advindos da ocupação dos hippes no nos passeios da cidade, em especial na região dos bancos, o secretário afirmou que no momento não há possibilidade de criação de um espaço especifico para que eles possam trabalhar, a exemplo do que acontece com o camelódromo.

“O ideal é criar um espaço para que essas pessoas possam expor seus trabalhos, mas enquanto isso não acontece precisamos regularizar a situação dessas pessoas para conduzir esse processo. As pessoas se incomodam com muito pouco, pois as pessoas estão ali para buscarem a sua sobrevivência”, disse o secretário.

Procurado pela reportagem, um empresário da cidade, que preferiu não se identificar, criticou a presença dos artesãos no centro da cidade. “A cidade está abandonada. Esse pessoal chega, se instala, mas sem qualquer organização. Cada um tem sua escolha de vida, mas precisamos ter uma regra”, argumentou.

Ele afirmou também que a presença dos artesãos não pode prejudicar os empresários que pagam impostos, geram emprego e renda para a cidade. “Hoje até os camelos são legalizados. Eles pagam para utilizar o espaço. O que acontece é que eles [hippes] impossibilitam a passagem das pessoas nas calçadas. Isso causa uma má imagem da cidade para quem vem de fora. Com a legalização, eu espero que a cidade possa ficar mais bonita”, finalizou.

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