Quem observa casas antigas, especialmente em cidades históricas, já deve ter reparado em um detalhe curioso: as grades das janelas costumam ser abauladas para fora, formando uma espécie de “barriga”. Longe de ser apenas um capricho visual, esse formato tinha funções bem definidas.
A principal delas era a segurança. O abaulamento afastava o invasor da janela, dificultando o uso de ferramentas para arrombamento e impedindo que alguém se apoiasse diretamente no vidro. Quanto maior a distância, mais difícil era forçar a entrada.
Outro ponto importante era a ventilação e o uso prático da janela. Com a grade projetada para fora, era possível abrir melhor as folhas, apoiar os braços, colocar vasos de plantas ou até pequenas gaiolas, algo comum em casas coloniais. Em muitos casos, essas grades funcionavam quase como um mini-balcão urbano.
Há também a influência da arquitetura colonial europeia, especialmente portuguesa e espanhola. As grades eram feitas em ferro forjado artesanalmente, e as curvas aumentavam a resistência da estrutura, evitando pontos frágeis que surgem em linhas totalmente retas.
Além da função prática, existia o fator simbólico e social. O ferro trabalhado indicava status e cuidado com a residência. O formato curvo transmitia proteção e elegância, sem dar à fachada um aspecto de prisão.
Com o tempo, esse estilo foi sendo abandonado. Grades retas são mais baratas, vidros modernos e sistemas de segurança reduziram a necessidade, e a estética contemporânea mudou.
Ainda assim, essas grades “barrigudas” permanecem como um detalhe fascinante da história urbana, mostrando como arquitetura, segurança e costumes se misturavam no cotidiano de outras épocas.





