Piedade realiza Festa da Congada e Moçambique neste final de semana

Publicado em 26/05/2022

 

 

É através do som dos bastões e das gungas que Piedade do Rio Grande encerra o mês de maio. Realizada há 94 anos, a Festa da Congada e Moçambique faz parte do calendário piedense e é famosa por realizar um grande encontro de tradições, a fim de sustentar a fé dos povos africanos e seus antepassados. Neste ano as celebrações vão ter início a partir da próxima sexta-feira, 27

Sob a benção dos padroeiros São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês, o grupo realiza sua manifestação de fé, repleta de cores e sons, totalmente fundada na memória da alma escrava e seus descendentes.

Segundo o pároco, padre Jorge Fonseca, a celebração vem reforçar a cultura e garra do povo piedense que realiza a festa mesmo em tempos de dificuldade. “Nós estamos celebrando uma festa em sinal de resistência, marcado pela coragem e pela força que atravessa as barreiras que nos assusta. Celebramos a memoria de um povo que retiram forças, também, na fé cristã”, explica.

O sacerdote ainda reforça a Devoção à Nossa Senhora do Rosário e associa o sofrimento do negro com o olhar maternal de Maria. “No véu de Maria o negro encontra a resistência. Diante das limitações, Maria e o negro se fundem no sinal dessa resistência – ambos tiveram a coragem de assumir a superação em meio às dificuldades da vida. A túnica vermelha de Nossa Senhora (do Rosário) simboliza o sofrimento de Cristo s da humanidade, o sofrimento do negro, o sofrimento dos pobres de ontem e hoje”.

Segundo o Romário Tomé Sobrinho, a Congada e Moçambique de Piedade do Rio Grande é muito mais que um grupo, e sim uma família, que busca resguardar a cultura negra, resistir e sobre tudo lutar pelo direito de igualdade. “Nós só conseguimos fazer isso através da nossa fé que é demonstrada e vivida nos passos, nas danças, e nos cantos. O nosso corpo reza, se comunicando com o sagrado, isso fortalece, nos torna mais irmãos, nos anima a lutar diariamente por um mundo melhor. Creio que vivenciar Congada e Moçambique, especialmente pro povo de Piedade, é recarregar as energias é se reconectar”, explica o integrante e zelador do grupo.

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