Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Lavras (PPGE/UFLA) revela que a biblioteca escolar, quando integrada ao cotidiano das aulas, torna-se um espaço decisivo para a formação de leitores críticos, sensíveis e autônomos.
A pesquisa, realizada por Angélica Sheila Moreira, acompanhou práticas de leitura em uma turma do 5º ano do ensino fundamental de uma escola pública do Sul de Minas Gerais. Ao longo de oito aulas observadas, a autora constatou que a biblioteca deixa de ser apenas um local de apoio e passa a atuar como ambiente ativo de aprendizagem, fortalecendo o letramento literário e o vínculo das crianças com os livros.
“Para entender como essas vivências leitoras acontecem na prática, acompanhei as aulas sem interferir, registrando tudo em diário de campo”, explica a pesquisadora. Foram realizadas ainda entrevistas com a professora, a bibliotecária e a equipe pedagógica.
Mediação e desenvolvimento socioemocional
Os resultados apontam que a mediação feita por professores e bibliotecários estimula não só o interesse pela leitura literária, mas também o diálogo, a empatia e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. A diversidade de obras, a organização do espaço e atividades interativas são fatores que influenciam diretamente o engajamento das crianças.
A professora Mauricéia Silva de Paula Vieira, coordenadora da pesquisa, destaca: “Projetos bem estruturados, aliados a rodas de conversa e diferentes gêneros literários, podem estimular o gosto pela leitura mesmo em tempos de forte presença digital”.
A dissertação também sinaliza desafios, como a necessidade de melhor formação de professores para trabalhar a literatura e maior envolvimento das famílias.
A pesquisa “Práticas de leitura e letramento literário no 5º ano do ensino fundamental” está disponível no Repositório Institucional da UFLA e inclui uma sequência didática sobre o gênero poema como produto educacional para auxiliar professores.






