Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open trouxe evidências de que utilizar a bicicleta como meio de deslocamento pode trazer benefícios significativos à saúde cerebral. A pesquisa analisou dados de quase meio milhão de pessoas na Inglaterra e acompanhou os participantes por mais de 13 anos. O resultado mostrou que aqueles que relataram praticar o ciclismo — sozinho ou combinado a outros meios de transporte ativo — apresentaram entre 17% e 40% menos risco de desenvolver diferentes formas de demência.
Segundo os pesquisadores, pedalar está associado a um hipocampo maior, região fundamental para a memória e o aprendizado. Os efeitos foram ainda mais evidentes em pessoas que não possuem o alelo APOE ε4, variante genética que aumenta o risco de doenças neurodegenerativas. Entre os principais achados, destacou-se um risco 19% menor de demência de todas as causas, 22% menor de Alzheimer, além de uma redução de 40% nos casos de demência de início precoce (antes dos 65 anos) e 17% na forma tardia (após os 65 anos).
Os autores do estudo ressaltam que promover formas ativas de deslocamento, especialmente o ciclismo, pode contribuir para uma melhor saúde cerebral e atuar como fator de proteção contra a demência. A preocupação é crescente: estima-se que o número de pessoas com a condição suba de 55 milhões em 2019 para 139 milhões em 2050 em todo o mundo.
Nesse cenário, o estímulo a atividades físicas cotidianas, como pedalar para o trabalho ou combinar bicicleta e caminhada no dia a dia, surge como uma estratégia viável e acessível de prevenção, sobretudo na meia-idade, quando hábitos saudáveis têm impacto direto sobre fatores de risco modificáveis.




