Padre lavrense estuda pedido de beatificação de sacerdote mineiro junto ao Vaticano

Publicado em 09/01/2016
O padre lavrense Vicente de Paula ao lado da urna com os restos mortais de Padre Léo na Casa Mãe da comunidade Bethânia, em São João Batista (SC).
O padre lavrense Vicente de Paula ao lado da urna com os restos mortais de Padre Léo na Casa Mãe da comunidade Bethânia, em São João Batista (SC).

O padre lavrense Vicente de Paula ao lado da urna com os restos mortais de Padre Léo na Casa Mãe da comunidade Bethânia, em São João Batista (SC).

O presidente da Comunidade Bethânia, o padre lavrense Vicente de Paula SCJ (Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus), estuda entrar abrir um processo de beatificação do sacerdote padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, mais conhecido como Padre Léo. O sacerdote faleceu em 2007, vítima de um câncer no sistema linfático.

No último dia 4, a Comunidade Bethânia recorda os nove anos de Padre Léo, fundador da instituição, cuja missão é restaurar jovens dependentes químicos, portadores de HIV e marginalizados em geral. Padre Vicente afirmou que a comunidade tem recebido também testemunhos de curas físicas pela intercessão do sacerdote mineiro

Junto com tantos testemunhos, vem também o pedido de muitas pessoas, inclusive de padres e bispos, de maneira informal, para que a comunidade abra um processo de beatificação.

“Nos lugares onde vamos em missão tem sempre alguém que vem relatar algo maravilhoso. Às vezes, é a conversão do esposo, outras, alguém que deixou o álcool ou as drogas por causa do padre Léo, alguém que voltou para a Igreja por conta das pregações, alguém que teve a sua família restaurada por meio das pregações e livros, e outros tantos encontram a vocação e o caminho do sacerdócio através do testemunho do Pe. Léo. É fantástico testemunhar tantas maravilhas”, descreve padre Vicente.

No entanto, padre Vicente disse que atualmente a comunidade não tem condições de abrir esse processo, porém, ele afirma que há essa intenção, tão logo seja possível. No momento, eles estão arquivando todos os testemunhos no Centro Cultural Memorial Padre Léo, no Recanto de São João Batista, em Santa Catarina, para deixar tudo organizado caso haja necessidade desse material futuramente.

Padre Vicente conta que, internamente, os membros da comunidade sempre pedem a intercessão de seu Pai-fundador, mas afirma que estão tranquilos, “deixando tudo a critério da Divina Providência”.

“Quem faz o santo é o povo. E o povo já tem demonstrado seu amor e sua confiança na intercessão do padre Léo. A nós cabe esperar que o povo cada vez mais se manifeste e partilhe as graças”.

Peregrinação

padre léo

Padre Léo. Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira, mais conhecido como Padre Léo: testemunhos de curas físicas obtidas pelo país.

Desde que os restos mortais de padre Léo foram para a Casa Mãe da comunidade, em São João Batista (SC), o número de pessoas que visitam seu túmulo só aumenta. “Chegam caravanas e romeiros de vários lugares do país. Estamos ainda engatinhando no acolhimento destes irmãos, pois não esperávamos que tudo fosse acontecer tão rápido”, disse padre Vicente.

Todo dia 4 de cada mês, em memória ao dia do falecimento de padre Léo, a Comunidade Bethânia celebra internamente o “Dia do Filho de Bethânia”, e muitas pessoas têm ido até o recanto para viver esse momento com a instituição.

Padre Vicente recorda que, logo após a morte de Padre Léo, a instituição passou por um período de dificuldade, “sentindo-se órfã”, porém aos poucos os membros tomaram consciência de uma frase que ele sempre dizia: “A presença física é a mais pobre das presenças”.

“O padre Léo não está longe, mas muito mais perto do que antes. Como filhos, sentimos a sua presença constante. Eu mesmo recorro sempre a ele”, destaca padre Vicente.

Essa certeza impulsionou a instituição a prosseguir com o trabalho, abrindo novos recantos, para acolher a todos que perderam o sentido da vida, seja nas drogas, prostituição ou vítimas de violência ou abandono.

Trajetória

Padre Vicente ingressou com 17 anos de idade no seminário de Rio Negrinho (SC) com outros três jovens lavrenses na época: Adriano, Ademir e o hoje padre Heitor Aparecido Rafael. Desde 2007 ele passou a comandar a comunidade fundada por Padre Léo.

“Foi algo desafiador. Nunca quis substituir o padre Léo, pois não há como fazê-lo. Ele sempre dava um jeito de me colocar à frente dos projetos. Eu não fui para Bethânia porque ele morreu e assumi o lugar dele, mas sim por causa da comunidade. Eu senti que havia chegado a hora de dar um passo a mais. Deus me chamava para viver naquele lugar, pois esse era o meu projeto de vida. O Léo é o carisma, a força, a evangelização que mantinha vivo o coração dos filhos”, disse o sacerdote em entrevista a Tribuna de Lavras em 2010.

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