O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais precisa ir além da discussão política e entrar na realidade de quem gera empregos. Hoje, um funcionário que recebe salário mínimo não custa apenas o valor pago na carteira. Para o empregador, o custo mensal pode ultrapassar R$ 2 mil quando são considerados encargos como INSS, FGTS, seguros e demais obrigações trabalhistas.
Esse cenário preocupa principalmente setores como comércio, bares, restaurantes e indústria, que dependem de mão de obra intensiva. A proposta de acabar com a escala 6×1 pode trazer benefícios sociais e qualidade de vida aos trabalhadores, mas, sem medidas compensatórias, tende a pressionar preços, reduzir margens e até impactar a oferta de empregos.
Nesse contexto, ganha força a discussão sobre a desoneração da folha de pagamento. A medida é vista por muitos empresários como uma alternativa para equilibrar os custos e manter a competitividade, especialmente para pequenos e médios negócios. Não se trata de subsídio, mas de reduzir o peso dos encargos que hoje encarecem a contratação formal.
O desafio do Brasil é encontrar um caminho que proteja o trabalhador sem inviabilizar quem empreende. Caso contrário, o risco é que mudanças bem-intencionadas acabem incentivando a informalidade ou dificultando a geração de novas vagas. O debate precisa ser técnico, transparente e, principalmente, baseado na realidade do mercado.





