Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado revelam que o Banco Master realizou pagamentos totais de R$ 80,2 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Os repasses ocorreram entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período de 22 meses, com valores mensais fixos de cerca de R$ 3,6 milhões. O contrato original previa duração de 36 meses e total de até R$ 129 milhões, mas foi interrompido após a liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central e a prisão do controlador Daniel Vorcaro na operação Compliance Zero.
Segundo a declaração do próprio banco à Receita, parte dos pagamentos refere-se a 2024, com R$ 40,1 milhões em 11 parcelas. O escritório informou ter prestado serviços de consultoria jurídica em compliance, elaborando 36 pareceres e participando de 94 reuniões, sem atuar em processos no STF.
Especialistas ouvidos por veículos como Estadão e Oeste questionam o valor, considerado elevado em comparação a honorários de mercado para serviços semelhantes. O caso ganha novo fôlego com a divulgação dos dados à CPI, alimentando debates sobre possível conflito de interesses.
O escritório Barci de Moraes nega irregularidades e afirma que os serviços foram devidamente prestados. O ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou sobre os novos documentos. O tema segue em investigação no Congresso e pode render mais revelações nos próximos dias.





