Laudo não substitui educação: crianças autistas também precisam de regras

O debate sobre a educação de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem crescido no Brasil. Especialistas alertam que, apesar das necessidades específicas, crianças autistas também precisam de limites, rotina e regras claras para se desenvolver.

Segundo a psicóloga e neuropsicopedagoga Luciana Brites, referência nacional na área, o equilíbrio é essencial. “O diagnóstico não elimina a necessidade de ensinar habilidades sociais, como esperar, lidar com frustrações e respeitar combinados. Essas competências precisam ser ensinadas, inclusive para crianças com autismo”, explica.

Ao mesmo tempo, profissionais destacam que ainda existe preconceito. Muitos comportamentos ligados ao autismo, como crises sensoriais ou dificuldade de comunicação, são confundidos com má criação, gerando julgamentos injustos contra famílias.

Por outro lado, especialistas alertam que usar o laudo para justificar qualquer comportamento também pode prejudicar o desenvolvimento. A ausência de limites pode aumentar ansiedade, impulsividade e dificuldades de convivência social.

A recomendação é que os limites sejam adaptados, com acolhimento, respeito e reforço positivo, sempre considerando as características individuais da criança.

O principal objetivo, segundo os profissionais, é garantir autonomia, inclusão e qualidade de vida. “Educar não é punir, é ensinar. E isso também vale para crianças com TEA”, reforça a especialista.

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