Larvicida criado na UFMG combate o mosquito da dengue mesmo em águas sujas

22/11/2019

 

 

A luta contra o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika acaba de ganhar um reforço. Um larvicida criado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é capaz de combater, a baixíssimo custo, larvas e ovos do Aedes aegypti mesmo em águas extremamente sujas.

Trata-se de uma pastilha feita com tijolo de cerâmica tratado quimicamente e eficaz em locais inóspitos, como bueiros e ralos, onde não há luz ou água limpa. O veneno é fruto de estudos do Departamento de Química do ICEx da instituição e foi testado no campus Saúde. O resultado foi a redução em mais de 80% da população do mosquito.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Jadson Belchior, o dispositivo foi criado para atender a demanda do campus, que tem os bueiros como principais focos de proliferação desses vetores. O larvicida é necessário porque o Aedes aegypti já se atualizou e não costuma depositar ovos somente em recipientes com água limpa.

“Nas unidades do campus, os vasinhos de plantas foram reduzidos. O mosquito provavelmente está fora dos prédios e migrando para dentro. Os bueiros acumulam água parada e nutrientes gerados por folhas secas. E é justamente disso que os ovos precisam para virar larvas”, explicou o professor.

Comercialização

O produto ainda não tem previsão de ser comercializado. Empresas que tenham interesse na venda do item podem procurar a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG, para viabilizar a aplicação no mercado.

“Eu gostaria muito que isso acontecesse. A dengue é um problema grave. É muita gente morrendo. Nós estamos disponíveis para fazer a tecnologia ir para a indústria”, afirma o professor Jadson Belchior.

De acordo com o estudioso, o sachê com cinco pastilhas teve o custo, em laboratório, de R$ 1. A compra em grande quantidade, no entanto, faria o item custar cerca de R$ 0,20.

Como funciona

As pastilhas têm como suporte uma cerâmica impregnada com moléculas nocivas à larva, mas com nível de concentração que não faz mal ao ser humano.

O material larvicida é liberado de forma lenta e controlada por cerca de seis a sete semanas depois de entrar em contato com a água, o que inibe o desenvolvimento dos ovos na fase larvária, impedindo-os de eclodir ou matando as possíveis larvas que surgirem.

 

Fonte: Anderson Rocha/ Hoje em Dia