O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou significativamente os gastos com publicidade institucional nos primeiros seis meses de 2026, período que antecede as restrições impostas pela legislação eleitoral. De janeiro a junho, foram empenhados R$ 520 milhões para ações de comunicação do governo federal, valor mais que o dobro dos R$ 213,5 milhões registrados no mesmo período de 2022, durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os recursos são destinados principalmente às campanhas publicitárias coordenadas pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), responsável pela divulgação de programas, ações e serviços do governo. A concentração dos empenhos no primeiro semestre ocorre porque, com a aproximação das eleições, a legislação limita a veiculação de publicidade institucional por órgãos públicos.
O aumento dos gastos ocorre em um momento em que Lula se prepara para disputar a reeleição e intensifica a divulgação de programas do governo em todo o país. Os números chamaram a atenção por representarem um crescimento expressivo em relação ao último ano eleitoral.
Em resposta, a Secom afirmou que todas as despesas seguem os limites estabelecidos pela legislação e que a comparação entre diferentes governos deve levar em consideração o contexto de cada gestão, além das campanhas de utilidade pública realizadas em cada período.
O tema também chegou à Justiça Eleitoral. O Partido Liberal (PL) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando os valores destinados à publicidade institucional e alegando possível extrapolação dos limites legais. O processo ainda aguarda análise da Corte.
Os dados reforçam o debate sobre os gastos públicos com comunicação em anos eleitorais e devem continuar no centro das discussões políticas durante a campanha presidencial de 2026.






