Ao longo da história, diferentes países viveram momentos em que a figura do governante deixou de ser apenas um representante eleito — ou imposto — e passou a ocupar o lugar de símbolo incontestável. É nesse ponto que surge a linha tênue entre liderança e idolatria.
A liderança política é parte essencial de qualquer nação organizada. Governantes tomam decisões, definem rumos e representam projetos de sociedade. O problema começa quando a admiração se transforma em devoção cega e a crítica passa a ser encarada como ataque pessoal.
Regimes autoritários do passado mostram que a concentração de poder, somada à construção de uma imagem quase sagrada do líder, enfraquece instituições, silencia opositores e reduz o espaço democrático. Mas o fenômeno não se limita a ditaduras. Mesmo em democracias consolidadas, a polarização pode alimentar narrativas que colocam líderes acima das instituições.
Quando a cobrança vira “traição” e a fiscalização é vista como perseguição, mecanismos fundamentais do Estado de Direito começam a se deteriorar. Democracia exige equilíbrio: governantes precisam ser avaliados, questionados e responsabilizados, independentemente de ideologia.
A maturidade política de uma sociedade não se mede pela intensidade dos aplausos, mas pela capacidade de manter o senso crítico. Líderes passam. Instituições permanecem. E o papel do cidadão é justamente garantir que o poder continue sendo instrumento de serviço público — nunca objeto de culto.





