Faltam 15 dias para a conta de luz da Cemig ter novo reajuste

Publicado em 24/03/2015

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A conta de luz dos clientes da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deverá subir, em média, 9,73% no próximo dia 8 de abril, quando será realizado o reajuste anual da companhia, segundo levantamento feito com exclusividade para o Hoje em Dia pela TR Soluções, desenvolvedora de sistemas para o setor elétrico. Somado aos demais aumentos na tarifa da estatal efetuados neste ano, o impacto médio será de 65,72% na comparação com dezembro de 2014.

Como reflexo, o consumidor residencial sentirá um aumento de 47,87% na conta, o cliente de média tensão (padarias e comércio de maior porte) arcará com alta de 65,80%, e as indústrias, de 87,69%. O jeito é colocar o pé no freio e economizar onde der.

Este será o terceiro aumento do ano e o único previsto na agenda do setor. Os demais foram aplicados de forma extraordinária, para cobrir rombos no caixa das distribuidoras provocados pela seca, que elevou o custo da eletricidade. Com os reservatórios baixos, foi preciso acionar usinas térmicas, que têm custo de geração maior.

A fisioterapeuta Vanessa Santos Fernandes ficou surpresa ao saber do índice acumulado. Ela mora com a mãe e paga uma conta de cerca de R$ 100 por mês. A partir de maio, quando os três reajustes estiverem valendo, ela pagará cerca de R$ 148. “Economizamos ao máximo. Já trocamos todas as lâmpadas por LED, tiramos todos os aparelhos da tomada, exceto geladeira, e só acendemos as luzes quando é extremamente necessário”, afirma.

No dia 2 de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a Revisão Tarifária Extraordinária (RTE), que elevou em 28,8% a tarifa média da Cemig. Para os consumidores residenciais, o aumento foi de 21,4% e para os clientes industriais, de 48,8%. Na mesma data, a Aneel autorizou alta de 83% no custo da bandeira tarifária vermelha, que saltou de R$ 3 para R$ 5,50 a cada 100 quilowatts-hora (Kwh) consumidos.

De acordo com o proprietário da TR Soluções, Paulo Steele, somente as bandeiras tarifárias terão impacto de 13,74 pontos percentuais (p.p.) na tarifa residencial, de 18,89 p.p. na tarifa de média tensão e de 24,95 p.p. na tarifa industrial.

Conforme o diretor do Instituto de Desenvolvimento do Setor Energético (Ilumina), Roberto D’araújo, o impacto para as indústrias é mais intenso devido à maior participação da energia propriamente dita na tarifa deste grupo.

Como a energia de Itaipu registrou aumento de 46% em dólar, no confronto com 2014, e cerca de 20% da energia utilizada pela Cemig é de lá, o reflexo é imediato.

Faltam 15 dias para a conta de luz da Cemig ter novo reajuste

Indústria e comércio refazem planilhas e preparam repasse para os preços

Os setores industrial e comercial ficaram assustados com a projeção do aumento acumulado da tarifa de energia para 2015, no confronto com o ano passado. Se a estimativa for confirmada, a indústria mineira atravessará um momento ainda mais nebuloso.

As demissões, que já começaram, devem se acelerar. “Esperávamos algo em torno de 60% para a indústria. Se chegar a 80%, as empresas não terão para onde correr”, afirma o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Fernandes.

Entre as empresas com atuação no Estado, são classificadas como de alta tensão as siderúrgicas, mineradoras, indústrias de alumínio, silício metálico e celulose. Algumas delas, segundo Fernandes, possuem geração própria e terão impacto menor. “Mas a maioria não tem escapatória. A participação do custo da energia nessas empresas é muito alta. No caso das eletrointensivas, é de 60%”, afirma.

As empresas de média tensão, como padarias e comércio de maior porte, também estão preocupadas. O proprietário da padaria Vianney, Pedro Moraes, afirma que vai manter os 160 funcionários. No entanto, o repasse da alta para os produtos será inevitável. Ele estima pelo menos 15% de aumento no preço dos produtos. Na Vianney, 35% do custo é decorrente da energia.
Conta de R$ 53 mil

A conta de luz da padaria girou em torno de R$ 32 mil no ano passado. Com os 65,80%, o boleto vai saltar para a casa dos R$ 53 mil. “Não há como absorver esse montante”, diz Moraes. Além de câmara frigorífica de 15 metros quadrados, a padaria possui 16 portas frigoríficas de 90 centímetros, 17 geladeiras e sete fornos, com 16 câmaras individuais. “Todos os nossos produtos dependem de energia. Tudo está acomodado em geladeira ou freezer. É inevitável não sermos prejudicados”, lamenta.

Além da energia, o empresário comenta que outros eventos irão onerar o setor. Como exemplo, ele cita a escalada da moeda norte-americana, que impacta diretamente no custo dos produtos importados e, principalmente, da farinha de trigo. “Também temos o dissídio dos empregados do setor, aprovado há um mês, que foi de 9%”, afirma.

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