Especialistas alertam para o perigo da “direção cega” no trânsito de Lavras

Publicado em 04/03/2016
Falar ao celular ao dirigir: risco de acidentes.

 

Um inimigo silencioso tem rondado a vida dos motoristas nos últimos tempos: os smartfones. Ao enviarem mensagens de texto ou digitarem um número de telefone celular para se comunicarem, muitos deles correm o risco de perder a vida.

Para falar da chamada “direção cega”, a reportagem do Lavras 24 Horas conversou com dois especialistas no assunto: José Sílvio Vilela e Edirce Aparecida Martins Vilela, proprietários do Centro de Formação de Condutores Martins Vilela.

Nos últimos anos os números de acidente de trânsito são alarmantes. Somente em 2014, foram mais de 40.294 mortes no trânsito. Cerca de 90% dos acidentes foram causados pela negligência, pela imperícia e pela imprudência dos próprios seres humanos.

São tragédias que poderiam ser evitadas pelos motoristas levando-se em conta alguns cuidados: o respeito aos limites de velocidade, manter-se atento, evitar o álcool e um bom descanso. Vilela cita ainda outros fatores de segurança: conhecimento das regras, habilidade e comportamento adequado.

“Estudos internacionais recentes mostram que o risco de ocorrer acidentes é 23% maior ao dirigir e enviar mensagens pelo celular do normalmente”, afirmou Edirce.

Ela revela também que aplicativos para celuluares, como Snatchat – que permite aos usuários tirar fotos, selecionar a quem essas fotos serão enviadas e, em seguida, estabelecer um prazo de ate 10 segundos após o qual as fotos se autodestroem, representam um perigo não aparente. Isso porque muitos jovens utilizam esse aplicativo para estabelecerem uma competição virtual, os chamados rachas, se transformando numa competição virtual e real.

Centro de Formação de Condutores Martins Vilela.

Centro de Formação de Condutores Martins Vilela.

Para analisar o problema da “direção cega”, a dupla de empresários cita como exemplo a campanha de uma montadora internacional que usou o tema das Olimpíadas para chamar a atenção dos motoristas para a perda de tempo e a concentração enquanto se dirige.

Como primeiro exemplo, Edirce Martins Vilela cita o caso de motoristas que costumam consultar, via celular, as redes sociais ao volante. Neste caso, a distração é de, no mínimo, 20 segundos. Esse é o tempo de o carro se deslocar por 560 metros, ou cinco campos de futebol.

Em segundo lugar vêm as chamadas selfies, fotografias tiradas de si mesmo enquanto se dirige. Edirce revela que uma pesquisa recente com sete mil usuários de smartphones apontou que metade deles, com idade entre 18 e 34 anos, admitiu ter tirado fotos no volante.

“Esse comportamento de alto risco, consome em média 14 segundos, tempo necessário para percorrer 400 metros ou uma volta completa em uma pista de atletismo. Infelizmente, o resultado neste caso não é uma medalha e uma plateia feliz, mas sim o risco de um final bem diferente”, relata José Sílvio Vilela.

A campanha da empresa mostra dados impressionantes. Veja abaixo:

3

O tempo gasto em uma selfie a 100 km/h equivale ao necessário para completar, dirigindo, o percurso de uma pista de atletismo – 14 segundos.

7

Arrumar o cabelo e voltar à atenção para o retrovisor custa o tempo de atravessar uma pista de basquete – 120 metros em quatro segundos.

5

O motorista gasta menos de 10 segundos para enviar uma breve mensagem de texto. É o tempo necessário para o carro percorrer 280 metros ou 12 quadras de tênis.

6

Para digitar o número de um telefone celular, são necessários sete segundos. É o tempo que o carro deslocaria 200 metros, ou quatro piscinas olímpicas.

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