EDITORIAL | O arrependimento seletivo da mídia e o STF que virou poder sem limite

É curioso ver parte da grande mídia subitamente preocupada com os excessos do STF. Durante anos, quando as medidas extrapolavam todos os manuais jurídicos — mas atingiam apenas o “inimigo certo” — a lógica era quase infantil: exceder limites contra meu inimigo? Tudo bem. Ótimo. Mas agora, por favor, vamos voltar à normalidade. Pois bem: a normalidade não volta sozinha, e o monstro que ajudaram a inflar agora ameaça até quem o aplaudiu.

Até mesmo colunistas como Malu Gaspar, no Globo, admitem que o Supremo perdeu a mão e precisa reencontrar limites.
Fonte: O Globo – análises de Malu Gaspar sobre o ativismo e a falta de freios do STF.

A The Economist também soou o alarme, classificando Moraes como um ministro com “poderes excessivamente amplos” e cobrando moderação institucional.
Fonte: O POVO / BBC Brasil – reportagem sobre a crítica da revista britânica.

As divergências nas condenações do 8 de janeiro mostraram que decisões tão sensíveis não podem depender de impulsos individuais.
Fonte: O POVO – divergência nos votos sobre o 8/1.

Agora, o Congresso avança com a PEC que limita decisões monocráticas — não por revanche, mas para restaurar os freios e contrapesos que sustentam qualquer democracia saudável.
Fonte: Câmara dos Deputados – PEC que limita decisões individuais de ministros.

Se ministros podem tudo, nenhum poder pode alguma coisa. E a democracia não suporta um “estado de exceção contínuo”. A mídia, que hoje finge surpresa, apenas colhe o fruto do excesso que ela mesma celebrou — enquanto era conveniente.

Assinado: Alex Gonçalves

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