Edição do Pint of Science/Lavras está disponível on-line

13/09/2020

 

 

De 8/9 a 10/9 foi promovido o maior evento de divulgação científica do planeta – o Pint of Science. Pelo terceiro ano consecutivo, a Universidade Federal de Lavras (UFLA) foi um dos polos de organização do festival no Brasil, sob a coordenação do professor José Alberto Castro Nogales Vera, do Departamento de Física da UFLA (DFI).

Devido à pandemia e à impossibilidade de se realizar os encontros em bares e restaurantes, como é a proposta original do evento, foram feitos seminários online em vídeo. O objetivo foi o de esquentar o debate científico com a população sobre assuntos recentes de ciência e tecnologia, de forma mais atrativa e acessível para os diversos públicos. Os vídeos dos três dias de evento já tiveram mais de 700 visualizações até o momento.

Professor Nogales abriu os trabalhos apresentando os objetivos do Pint of Science e lembrando que a ciência tem a meta de ajudar a população a ter uma vida melhor. Realçou também a necessidade de investimentos na pesquisa. A pró-reitora de Pesquisa, professora Joziana Muniz de Paiva Barçante, representou a UFLA na abertura das atividades, reafirmando a importância de se compartilhar o conhecimento científico com a sociedade. Relatou as conversas recentes da PRP e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) no sentido de trabalharem para tornar tudo que a UFLA produz em ciência acessível à população. Ela agradeceu a iniciativa do professor Nogales e da professora do DFI Karen Luz Burgoa Rosso de incluir Lavras na agenda desse evento mundial.

Saiba um pouco mais sobre os temas tratados na programação em Lavras:

A UFLA cuidando da vida e Telemedicina

A palestrante, professora Joziana Barçante, abordou o tema “A UFLA cuidando da vida”. Falou  sobre a importância da ciência no dia a dia das pessoas e sobre o quanto essa importância se tornou visível agora nesse cenário de pandemia. A palestrante fez uma reflexão sobre outras pandemias,  como a Gripe Espanhola e o Ebola, e ressaltou as medidas de prevenção contra a Covid-19, que são as mesmas adotadas no enfrentamento à Gripe Espanhola, que matou mais de 50 milhões de pessoas há mais de 100 anos.

Ela também instigou uma importante reflexão sobre o fato de a sociedade não estar preparada para uma pandemia, apesar de todas as novas tecnologias que existem hoje e não existiam em 1918. Ressaltou que a ciência não é construída da noite para o dia. São necessários estudos, testes e, para a elaboração de uma vacina, é necessário garantir que seja algo de fato seguro; precisa ser testada e muito estudada, para que não gere mais angústias, preocupações, estresse e decepção.

Por fim, ela relatou os esforços das universidades no combate à pandemia, chamando a atenção para as ações realizadas na UFLA, envolvendo projetos com o da cabine de desinfecção, que será muito útil para o retorno das aulas presenciais, tanto na UFLA quanto no município, Lembrou a doação de hortaliças que antes eram cultivadas para o RU e estão sendo repassadas para o banco de alimentos de Lavras. Falou também sobre o laboratório de diagnóstico molecular que está em processo de finalização. Outro avanço foi a possibilidade de implementação do Estudo Remoto Emergencial (ERE), que permite aos estudantes da UFLA terem acesso aos conteúdos mesmo nesse momento de distanciamento social, entre tantas outras ações, como os serviços de Telemedicina, tema abordado pela palestrante Maeve Freitas.

Maeve falou sobre como surgiu a telemedicina e deu alguns exemplos, como as orientações que médicos em 1860 forneciam, por meio de telégrafos, aos soldados feridos na guerra civil americana. Com o passar dos anos, a telemedicina foi ganhando mais força, e depois da televisão, começou a haver transmissão de imagens de radiografia e de exames neurológicos, além de laudos de exames como de eletrocardiograma, que também começaram a ser feitos por meio da telemedicina.

O exercício da medicina mediado por tecnologias – esse é o conceito de telemedicina no Brasil – foi regulamentada por uma lei de 2002, que permite o uso dessa prática para teleconferências entre profissionais da saúde e laudos de exames, mas proíbe o atendimento direto de pacientes e telediagnósticos. Com a pandemia, veio uma nova lei em caráter de emergencial, permitindo a telemedicina, inclusive a consulta direta. Ponderou que, por ser uma lei emergencial, não se sabe ainda como ficar a questão no futuro.

Esse lei emergencial libera o uso da telemedicina para consultas, orientação sobre prevenção, monitoramento de pacientes com Covid, triagem para determinar se o paciente pode ficar em isolamento domiciliar, ou se precisará de atendimento presencial, prestação de cuidados à infectados, monitoramento dos casos confirmados e controle de outras doenças em pacientes de alto risco, como idosos e pacientes com imunossupressão. A palestrante deixou bem claro que a telemedicina não veio para substituir o atendimento presencial, mas sim para para somar, e para evitar sobrecarga do sistema de saúde nesse momento de pandemia.

Maeve falou também sobre as plataformas de telemedicina criadas na UFLA para auxiliar a população da região no enfrentamento à pandemia – Mais saúde em casa e Telecovid.

A Ciência da Felicidade

pos2Os palestrantes Katia Poles e Bruno Del Bianco Borges abordaram as evidências científicas disponíveis sobre a felicidade e sobre como a  neurociência analisa o aumento do estresse na pandemia de Covid-19, buscando novas perspectivas para o tratamento.

Falar sobre Felicidade é conversar sobre a nova área de estudo da psicologia positiva que, segundo pesquisas, é uma ciência que se dedica ao estudo do bem-estar subjetivo/felicidade.  Para a professora Katia Polles, do Departamento de Ciências da Sáude (DSA/UFLA), “atualmente, dispomos de inúmeras evidências científicas no campo da Psicologia Positiva que nos permitem compreender o que é e o que não é a felicidade. E o que é essa tão sonhada felicidade que muitas pessoas buscam”. Segundo a docente, a  felicidade, hoje, faz parte do campo de estudo tanto da filosofia quanto da psicologia, e  ninguém é feliz 100% do tempo: “a felicidade é mais episódica do que um estado constante do indivíduo”, afirma Katia. No momento da palestra, a professora fez um convite para que os participantes refletissem sobre os aspectos que podem torna-los mais felizes, para manterem o nível de satisfação, e o que podem investir para que a vida valha a pena. “Considero extremamente importante que a Universidade leve temas atuais da ciência para a comunidade. Assim exercemos nosso compromisso social de gerar melhoria na qualidade de vida das pessoas”, conclui Kátia.

Para o professor Bruno Del Bianco Borges, também do DSA/UFLA, a pandemia causada pela Covid-19 está sendo reconhecida com um grande estressor. Estudos recentes permitem perceber as consequências da quarentena em relação ao estresse. Bruno explicou que o estresse é uma palavra muito mal interpretada e que muitas vezes segue dois caminhos: o da felicidade, como por exemplo o estresse na prática de atividade física, e o excesso de estresse, que causa a ansiedade e pode ser prejudicial à saúde. “Infelizmente o estresse hoje é visto como mal do século, principalmente em tempos de pandemia, nos quais muitas pessoas tiveram sua saúde mental alterada.  Por ser uma epidemia oculta, este estresse pode permanecer na pandemia e na pós-pandemia”.

Bruno citou diversos fatores que podem elevar o nível de estresse das pessoas na pandemia: “neste momento, grande parte da população fica com medo de contrair a doença, perder seu emprego, passar por dificuldades financeiras, além de ter que lidar com o distanciamento social e outros fatores que contribuem para o aumento do estresse, levando o indivíduo a ter mudanças também em seu organismo”.

No final da palestra, o professor passou uma mensagem positiva para que todos fiquem bem e orientou que, a qualquer sinal de alteração, como mudança de humor e tristeza excessiva, o indivíduo procure ajuda.

Educação Científica Pós-Pandemia

pfs2Os palestrantes Paulo Ricardo da Silva e Marina Battitesti Festozo conversaram com o público sobre o cenário da educação científica no Brasil pós-período de pandemia. Enfatizaram a necessidade da divulgação científica e a importância de aproximar as pesquisas realizadas no âmbito acadêmico da sociedade, que consome diretamente ou indiretamente os resultados científicos produzidos pela Universidade.

O professor do Departamento de Química (DQI/UFLA) Paulo Ricardo da Silva pontuou sobre a importância da educação científica nos anos iniciais da formação dos estudantes. Sendo ele próprio “fruto da educação pública”, o professor considera imprescindível mostrar o quanto antes às crianças e adolescentes de que maneira a ciência está presente no cotidiano de cada um. Também propôs discussões sobre o papel da escola na formação e aproximação da produção científica da sociedade, desmistificar “ideias” de que o conhecimento científico faz parte de um público privilegiado da sociedade e evidenciar que todas as camadas sociais brasileiras podem produzir ciência.

A professora do Departamento de Biologia (DBI/UFLA) Marina Battitesti Festozo relatou que, mesmo diante de um cenário imprevisível, ao levar em consideração o que está por vir pós-pandemia, a ciência será fundamental para a mudança social no Brasil, o que ficou mais evidente durante a pandemia, ao levar em consideração a desigualdade socioeconômica do País. A pesquisadora também falou sobre a importância de valorizar a ciência que, em período de pandemia, enfrenta o desafio do negacionismo por parte da população e notícias falsas – Fake News – que circulam pela internet; também pontuou o papel do cientista que é estereotipado de maneira negativa em alguns momentos.

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/Macaé) Bruno Andrade Pinto Monteiro, que também é ex-professor da UFLA, falou da honra em participar de um evento que tem como premissa divulgar a ciência. Ele propôs discussões sobre o pensamento “decolonial”, perpassou a construção do País e as contribuições científicas feitas no decorrer desse período, e chamou atenção para a ciência produzida não pelos colonizadores, mas para a ciência já produzida pelos povos nativos sul-americanos. O pesquisador relata que acha “importante qualquer estratégica de comunicação que viabilize a ampliação do diálogo entre a Universidade, ou seja, o centro de produção de conhecimento majoritário aqui no Brasil, e a nossa sociedade, pois a sociedade é a população que nos financia, que nos paga por esse empreendimento maravilhoso que é a Universidade e a produção científica nacional”.

De Einstein em Sobral-CE à gravitação quântica em Lavras-MG

PoS1A palestra “De Einstein em Sobral-CE à gravitação quântica em Lavras-MG” ocorreu no último dia do evento. Os professores visitantes Thiago Roberto da Possa Caramês e Iarley Pereira Lobo, do DFI/UFLA, abordaram a Física, ciência que estuda a natureza e seus fenômenos em seus aspectos mais gerais, de um modo descontraído e leve, mostrando que ela não é um “bicho de sete cabeças”.

Thiago falou sobre o evento ocorrido em 1919 na cidade de Sobral (CE), em que o eclipse solar ocorrido naquele ano ficou registrado como o primeiro teste direto da Teoria da Relatividade Geral, publicada por Albert Einstein. “Durante esse evento, que ocorreu simultaneamente na Ilha de Príncipe e em Sobral, foi possível realizar a medida da deflexão da luz solar. Esse ato revolucionário levou Einstein a ser reconhecido como celebridade mundial, o que para um físico é de certa forma incomum”, disse o professor.

O problema de unificação da mecânica quântica com a gravitação, unindo o macro e o micro cosmo foi o tema abordado pelo professor Iarley, que utilizou a Astronomia Multimensageira para apresentar as mais recentes tentativas de experimentos dessa teoria. De acordo com o professor “essa análise casada que constituiu a Astronomia Multimensageira tem desempenhado um papel muito importante na ciência contemporânea e tais estudos serão o futuro da Astrofísica”.

A palestra atraiu amantes da Física e curiosos por teorias que abordam a compreensão científica dos comportamentos naturais e gerais do mundo.

Histórias de astronomia, folclore brasileiro e vivências científicas

pos3Histórias de astronomia, folclore brasileiro e vivências científicas foram contadas no último dia do evento. A sessão contou com a participação de Naelton Mendes de Araújo, astrônomo e mestre em difusão científica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, (UFRJ) e da professora Karen Rosso.

Na ocasião, a professora Karen Rosso, por meio do diálogo e de histórias, conectou o universo do folclore brasileiro com temáticas de astronomia. O personagem da vez foi o lendário Saci-Pererê, que queria viajar pelo espaço, dentro de uma distância conhecida como limite de Roche. Com conceitos de astronomia, aprendeu a se locomover por meio de um redemoinho e utilizou da Assistência Gravitacional na viagem pelo espaço com a ajuda dos planetas do sistema solar. Em seguida, diferentes conceitos da astronomia e da educação científica foram apresentados pelo astrônomo Naelton de Araújo, a partir de versões cariocas de histórias da mitologia grega, casos e histórias próprias envolvidas sobre o tema.

No final das palestras, houve momentos de interação entre os professores e participantes que puderam enviar suas dúvidas.

As palestras estão disponíveis no canal do YouTube Magia da Física e do Universo.

 Texto:

Melissa Vilas Boas – Relações Públicas, bolsista Comunicação/ UFLA

Greicielle Santos – Licenciada em Letras, bolsista Comunicação/UFLA

Pollyanna Dias – Jornalista, bolsista Comunicação/UFLA

Caroline Baptista – Jornalista, bolsista Comunicação/UFLA

Yanca Fernandes Vicente – Bolsista Proat Comunicação/UFLA