O presidente do Brasil, Lula, pré-candidato à reeleição, resolveu dar uma aula de moral política usando uma analogia simples, quase infantil. O detalhe que transformou o discurso em comédia involuntária é que o personagem principal da metáfora estava, literalmente, encarnado no orador.
Durante o discurso, Lula, que já foi condenado em diferentes instâncias no âmbito da Lava Jato, embora com condenações posteriormente anuladas pelo STF, alertou a população para não cometer erros na hora de escolher quem cuida do poder. “Não coloquem nunca uma raposa para tomar conta do galinheiro, que ela vai comer até o galo”, afirmou, com a segurança de quem acredita estar explicando o óbvio.
O presidente insistiu no exemplo, talvez para garantir que ninguém fingisse distração. “Não coloque uma raposa para tomar conta do galinheiro. Vocês sabem disso. É a coisa mais simples de vocês entenderem o que eu estou falando”, reforçou, como se estivesse conversando com uma plateia recém-saída do ensino fundamental político.
Mas o momento que arrancou risadas nas redes sociais veio logo em seguida. “Mesmo que ela esteja vestida de branco. Mesmo que ela esteja com uma lágrima nos olhos”, disse Lula, alertando que aparência, figurino ou discurso emocionado não mudam a natureza da raposa.
A ironia é que, enquanto fazia esse alerta solene, Lula estava exatamente como descreveu o personagem suspeito: vestido de branco, emocionado e pedindo confiança. Para muitos, a cena dispensou edição ou comentário adicional. A analogia se explicou sozinha.
Sem deixar espaço para finais felizes, o presidente concluiu a fábula política. “A raposa, ao ser colocada no galinheiro, ela vai comer as galinhas”, decretou, sem redenção, sem transformação e sem exceções.
Ao afirmar que este é “o ano da verdade”, Lula jogou a responsabilidade para o eleitorado. “Não é o Lula que vai ter que fazer a comparação. São vocês”, disse, como quem entrega o galinheiro e sai assobiando.
No fim, a fala viralizou não pelo alerta em si, mas pelo contraste quase cinematográfico entre discurso e personagem. Na política brasileira, a raposa pode até avisar sobre o perigo do galinheiro. O problema é quando ela faz isso já sentada lá dentro, vestida de branco e com cara de quem garante que agora é diferente.





