Corte de bolsas da Fapemig afeta 673 alunos de universidades do Sul de Minas

12/03/2019

 

 

A Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) suspendeu as bolsas dos programas de mestrado e doutorado em todas as universidades do estado. A medida foi tomada devido ao corte no repasse de verbas e afetou pelo menos 673 alunos do Sul de Minas.

Os cortes atingem todas as universidades e institutos federais do estado. O motivo é a crise financeira que levou o governo a cortar investimentos na ciência e tecnologia. Enquanto, em 2018, o valor empenhado à Fapemig foi de R$ 205,9 milhões, neste ano, o montante reservado para compromissos firmados pela fundação foi de R$ 7,7 milhões, segundo dados do Portal da Transparência do Governo de Minas Gerais.

Além da suspensão de bolsas de novos programas de mestrado e doutorado, a Fapemig suspendeu bolsas de iniciação cientifica na graduação e do programa júnior, para alunos do ensino médio. Só na Universidade Federal de Lavras (Ufla) foram 370 cancelamentos.

Na Universidade de Alfenas, nenhum bolsista recebeu ainda este mês. Ao todo, 130 bolsas de iniciação científica foram suspensas e sete cotas do mestrado não foram renovadas. Já na Universidade Federal de Itajubá, foram 147 cortes nos programas de graduação. Em Poços de Caldas, outras 26 bolsas foram suspensas.

O pró-reitor da Ufla, Teodorico Ramalho, afirma que a situação faz as instituições perderem a capacidade de buscar talentos no ensino médio e diminui o ritmo de inovação, o que atrapalha o próprio desenvolvimento do estado.

“As pesquisas na área de transmissão de informação à longa distância, a descoberta do selênio e tantas outras pesquisas que fazem com que a tecnologia que temos hoje se torne acessível”, explica Ramalho.

A estudante Camila Lourenço vai começar o mestrado na Ufla na semana que vem. Antes de pensar na pesquisa, ela já precisa se preocupar com o dinheiro pra se manter na universidade.

“Às vezes a gente não tem uma condição financeira para estar na universidade, a gente precisa dessa bolsa, que seria um auxílio tanto pra gente, financeiramente, quanto para pesquisa”, explica Camila.

O que diz a Fapemig

Em nota, a Fapemig disse que tem se empenhado junto ao Governo do Estado para viabilizar o pagamento de todas as pendências, mas que, por enquanto, não há previsão de quando isso vai acontecer.

Ainda segundo a fundação, alguns programas serão readequados, como é o caso dos programas de concessão de bolsas. No caso da iniciação científica, as bolsas estão temporariamente suspensas. E em relação às bolsas de mestrado e doutorado, a Fapemig disse que só será mantido o apoio aos projetos que já estão em execução.

 

Fonte: G1

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