Contradição no agro: política de Lula favorece importação e prejudica produção nacional

A recente decisão do governo Lula de autorizar a JBS a importar tilápia do Vietnã expõe uma contradição difícil de ignorar. Enquanto o Brasil se apresenta ao mundo como potência agroexportadora, o próprio governo abre espaço para produtos estrangeiros justamente em setores onde o país já é altamente competitivo. A tilápia é um exemplo emblemático: o Brasil é o quarto maior produtor mundial, mas passou a receber carregamentos do peixe vietnamita a preços muito inferiores aos praticados pelos produtores locais.

A situação se torna ainda mais controversa porque, ao mesmo tempo em que libera a importação, o governo incluiu a tilápia na lista de espécies exóticas invasoras, criando novos entraves ambientais e burocráticos para quem produz no país. Para o setor aquícola, a mensagem é contraditória: rigor para o produtor nacional, flexibilidade para o importado.

A entrada da JBS nesse processo também levanta questionamentos. A empresa, envolvida há anos em escândalos de corrupção, práticas sanitárias contestadas e favorecimentos políticos, torna-se novamente protagonista em uma decisão que afeta diretamente o equilíbrio do mercado. Permitir que uma gigante com histórico problemático lidere a importação de um produto que o Brasil já domina parece, no mínimo, arriscado.

Os acordos comerciais firmados durante a cúpula do BRICS — que envolvem a troca de interesses entre a tilápia vietnamita e a carne bovina brasileira — reforçam a percepção de que os produtores locais estão sendo usados como moeda de troca em negociações geopolíticas. Quem paga essa conta é o setor produtivo nacional, pressionado por concorrência desigual, risco sanitário e perda de espaço no próprio mercado interno.

Resta a pergunta que o governo ainda não respondeu: por que importar o que já fazemos com qualidade, escala e geração de empregos? Enquanto essa incoerência persistir, o produtor brasileiro continuará no papel de espectador — e vítima — de decisões que o deixam cada vez mais vulnerável.

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