Conscientização é a melhor arma para evitar acidentes no trânsito, alerta Martins Vilela

17/12/2015

Com uma das mais altas taxas mundiais de mortes em acidentes de trânsito, o Brasil sediou recentemente a 2ª Conferência de Alto Nível Global sobre Segurança no Trânsito, na qual delegados de uma centena de países discutiram fórmulas para conter um problema que causa 1,2 milhão de mortes por ano no mundo.

Dados da ONU mostram que a cada a cada ano ocorre 1,2 milhão de mortes no Brasil. A entidade alerta que em 2019, esse número saltará para 1,9 milhão. A maior parte das vítimas tem entre 15 e 39 anos. É um dos piores registros de mortes no mundo, superado só por China, Índia e Nigéria. O objetivo do encontro foi tentar salvar ao menos cinco milhões de vida a cada ano.

Para os empresários José Sílvio e Edirce Martins Vilela, do Centro de Formação de Condutores Martins Vilela, em Lavras, esses acidentes podem ser evitados, ao mesmo tempo em que eles ocorrem por uma “multiplicidade” de fatores.

Eles citam desde deficiências de infraestrutura viária, que o governo tenta corrigir com programas de melhoras de estradas, até problemas de fiscalização e “transgressões” da sociedade, que devem ser combatidas com planos e campanhas de educação para o trânsito.

“Principal agente fiscalizador, a polícia brasileira enfrenta déficit de efetivo e desvalorização da profissão. E não é só isso, ela não pode agir somente na fiscalização. Podemos ser indutores de políticas públicas. O mais importante é que haja esforço na educação de trânsito para crianças e a comunidade em geral”, disse Edirce Vilela.

Além disso, José Sílvio Vilela destacou que as normas devem ser eficazes, proporcionais e claras. Caso contrário, o trabalho de fiscalização é em vão. “As leis são rígidas, mas não são claras e não se aplicam a todos os cidadãos, tanto ricos como pobres, pois sempre existe o tal jeitinho brasileiro de burlar a legislação vigente”.

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“Principal agente fiscalizador, a polícia brasileira enfrenta déficit de efetivo e desvalorização da profissão. E não é só isso, ela não pode agir somente na fiscalização. Podemos ser indutores de políticas públicas. O mais importante é que haja esforço na educação de trânsito para crianças e a comunidade em geral”, disse Edirce Vilela

No Brasil, a lei que proíbe o uso de álcool ao volante é bastante rigorosa, punindo até mesmo quem tomou apenas um gole de bebida alcoólica com multa e suspensão do direito de dirigir. No entanto, o mesmo não pode ser dito para motoristas que são pegos sob influência de outras drogas.

“Se alguém tiver consumido cocaína antes de dirigir, e outra pessoa tiver bebido, somente a última será punida se for pega em alguma blitz. Por isso, a função da multa não deve ser arrecadatória, e sim punitiva e pedagógica”, avaliou Edirce Vila.

Os empresários lembram que a proporcionalidade das leis ainda é uma questão que atrapalha a punição de maus condutores em vários países. Eles também comentaram a questão das blitz feitas no munícipio.

“Pedir que a fiscalização seja discreta faz sentido, mas, ao mesmo tempo, não faz. As pessoas precisam saber que os policiais estão ali, assim eles podem evitar o mau comportamento ao volante por medo da punição. Acaba funcionando também como forma de prevenção”, afirmou José Silvio.

“Nossa legislação é uma das melhores do mundo. Exigimos o uso de capacetes, de cinto de segurança, de cadeirinhas para crianças, air-bag nos carros. Agora, temos de atuar na educação do trânsito e na conscientização da sociedade para que respeitem as normas. Temos que lembrar que existem vidas perdidas por trás das estatísticas. O tempo de agirmos chegou”, finalizou Edirce Vilela.