Cafés e eletrônica impulsionam a economia no Sul de Minas

29/10/2020

O agronegócio impulsiona a economia do sul de Minas Gerais. A produção de café é a atividade agrícola mais importante da região e responde por cerca de 25% de toda a produção do país. Os dados, de 2020, são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A expectativa, para este ano, é que Minas Gerais colha 32 milhões de sacas do produto. Quase 60% deste volume, 17 milhões de sacas, virão do sul. A região também tem contribuições importantes à produção e venda de cafés especiais, com venda direta aos consumidores. A relação é promissora e, segundo o mercado financeiro, o consumo no Brasil deste tipo de café poderá crescer 22% este ano.

A expansão deste mercado está relacionada à pesquisa, inovação e ao uso de novas técnicas agrícolas. Em Santa Rita do Sapucaí, a startup Agrorigem é referência neste modelo de negócio. A startup oferece em uma plataforma digital cafés especiais de várias cidades produtoras do Brasil. Os lotes possuem origem garantida e rastreabilidade. A ideia do time mineiro é reconhecer quem trabalha nas lavouras de café, uma retribuição a homens e mulheres do campo que contribuem para esta identidade mineira.

Segundo o engenheiro de telecomunicações Guilherme Augusto Cassemiro, um dos sócios da Agrorigem, nesta safra eles devem triplicar a venda e a rentabilidade dos produtores. A proposta é oferecer maior sustentabilidade econômica para os produtores e maior agilidade e facilidade para os compradores, além de fazer com que os produtores recebam mais pelo café produzido. “Tem situações de eles receberem duas vezes mais pelo café do que receberia se vendesse no mercado tradicional. Na safra de 2019/20 a gente comercializou 2700 sacas de 60 kgs de café. E movimentamos aproximadamente R$ 2 milhões. A meta agora para esta safra 20/21 é comercializar 7500 sacas e movimentar em torno de R$ 5.8 milhões”, explicou Guilherme.

A Agrorigem foi acelerada no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). Sediada em Santa Rita do Sapucaí, o instituto mantém programas de empreendedorismo e inovação e, em parceria com grandes empresas, capacita jovens talentos e oferece suporte para estruturação e desenvolvimento de projetos em diferentes áreas do conhecimento. A Eletrônica é uma das especialidades. A cidade abriga 150 indústrias de base tecnológica e concentra 29% da mão de obra deste segmento em Minas.

O professor do Inatel e coordenador da Câmara de Engenharia Elétrica do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), engenheiro eletricista Bruno de Oliveira Monteiro, diz que o conhecimento gerado na academia irradia para o mercado e que o Inatel, junto a outras instituições de ensino de Santa Rita do Sapucaí, promoveram um movimento de empreendedorismo muito grande que levou o surgimento de vários na região. “Hoje, Santa Rita é conhecida como o Vale do Eletrônico. Temos uma população de 40 mil habitantes e com uma média de 150 empresas, a grande maioria na área tecnológica. A cidade exporta muitos profissionais de Engenharia e Tecnologia e também absorve muitos dessa área. Ao produzir conhecimento e inovação contribui com o desenvolvimento do estado e do país”, disse Bruno.

O Programa Crowd Vale da Eletrônica, que dá apoio a projetos inovadores de startups e spin-offs, é uma exemplo desta capacidade evolução. As equipes participantes podem utilizar a infraestrutura do Inatel para o desenvolvimento de seus negócios, e participam de atividades semanais com foco em capacitação e relacionamento. Todo o processo de pré-aceleração é acompanhado por empresas da área como Ericsson e Telefônica, que buscam parceiros de negócios no grupo. Além de Santa Rita do Sapucaí, outras cidades polo da região com forte vocação industrial apresentaram bons índices de desenvolvimento econômico nos últimos anos, como Extrema, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Varginha e Itajubá.