Busca pela sobrevivência em Fortaleza famílias dependem de descartes de supermercado

A cena se repete todos os dias no bairro Cocó, em Fortaleza: no momento em que os caminhões de lixo se aproximam dos fundos de grandes supermercados, dezenas de pessoas já aguardam. O objetivo é resgatar alimentos que, embora descartados comercialmente por estarem próximos ao vencimento ou com embalagens avariadas, representam a única chance de refeição para muitos.

A persistência da insegurança alimentar na capital cearense é evidenciada pela rotina dessas famílias, que vasculham sacos plásticos em busca de frutas, verduras e produtos industrializados. O cenário expõe um contraste social profundo, ocorrendo a poucos metros de condomínios de alto padrão e centros comerciais movimentados. Entre os que aguardam o descarte, estão desempregados, trabalhadores informais e idosos que afirmam não conseguir fechar o mês com o valor das aposentadorias ou auxílios governamentais.

Especialistas em segurança alimentar alertam que o consumo desses produtos envolve riscos à saúde, mas para quem enfrenta a fome, o risco biológico é secundário diante da urgência do estômago vazio. O desperdício de alimentos por parte do setor varejista e a falta de políticas públicas mais eficazes de redistribuição de excedentes são pontos centrais do debate. Enquanto soluções estruturais não avançam, o caminhão de lixo continua sendo, ironicamente, o principal fornecedor de mantimentos para uma parcela invisibilizada da população fortalezense.

A situação reflete um problema nacional: o Brasil retornou ao Mapa da Fome da ONU nos últimos anos, e as capitais do Nordeste têm sentido o impacto de forma severa. A coleta nos descartes não é apenas um evento isolado, mas um sintoma de uma crise socioeconômica que priva milhares de cidadãos do direito básico à alimentação digna e segura.

Fontes: G1 Ceará, O Povo, Relatório da Rede Penssan

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