Bolsonaro nos Estados Unidos: Pontos positivos e negativos | Gilberto Bergamin

25/03/2019

 

Buscar um relacionamento positivo com os Estados Unidos sempre é bom para o Brasil. Fernando Henrique teve com Bill Clinton e Lula teve com George W. Bush e Barack Obama.

Jair Bolsonaro, sem dúvida, se mostrou alinhado com Donald Trump. Todavia, alguns pontos devem ser colocados ao ponto diplomático internacional, como defendeu já uma reeleição do republicano no ano que vem. Também errou ao dizer a inverdade de que seus antecessores eram anti-americanos. Isso não corresponde à realidade.

Em entrevista a Fox News, disse que a maior parte dos imigrantes não quer o bem dos americanos — na tarde da última terça, recuou e se arrependeu da declaração, segundo afirmou em coletiva para a imprensa brasileira.

Por último, errou em levar seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, em vez do chanceler, Ernesto Araújo, para a reunião no simbólico Salão Oval. Fato este denotado por diversas mídias como uma supervalorização de seus familiares frente aos devidos responsáveis pelo tema.

Todavia, não é só de deslizes em declarações e atitudes que a visita à Casa Branca é marcada, ótimos resultados econômicos foram notados, o status de aliado extra-OTAN dos EUA.

Bolsonaro também ganhou o apoio de Trump no projeto de ingressar na OCDE. Trata-se de uma equação onde teremos alguns benefícios, na avaliação do governo, o resultado será positivo.

Para além do apoio ao pleito brasileiro na OCDE, os dois países também firmaram uma série de compromissos comerciais. Bolsonaro concordou em abrir uma cota anual de 750 mil toneladas de trigo norte-americano com tarifa zero – hoje, a importação do grão dos EUA sofre uma taxa de 10%. A medida pode irritar o governo da Argentina, hoje o principal vendedor de trigo para o Brasil. Em troca, os EUA concordaram em reavaliar em breve barreiras que hoje são impostas à carne brasileira.

Houve ainda o acordo para o uso da base de Alcântara, embora não esteja muito claro o que o Brasil ganhará em troca, especula-se a vinda de tecnologias e demais investimentos na área, hoje, não explorada no assunto. A decisão de eliminar os vistos, que pode aumentar o turismo, por um lado, ao mesmo tempo que bate de frente com a histórica política da reciprocidade na diplomacia, independe dos EUA e da viagem, o que foi elogiado por economistas.

Para os EUA, o mais importante foi saber que Bolsonaro está na mesma página na Venezuela. Apesar de muito ruído falando em intervenção militar, o presidente americano, assim como o brasileiro, ainda estão longe de defender esta opção. O foco está na diplomacia, e a Casa Branca quer a ajuda dos brasileiros para ter um canal de diálogo com militares venezuelanos, vistos como fundamentais para derrubar Maduro.

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