Analfabeta, aposentada de 84 anos descobre descontos indevidos do INSS por 30 anos após escândalo de fraudes

Em meio às revelações do esquema de fraudes no INSS, a aposentada Lidia Clarinda de Souza, de 84 anos, moradora de Humaitá, no interior do Amazonas, descobriu que teve valores descontados indevidamente de seu benefício durante quase 30 anos. Analfabeta, ela só teve conhecimento da situação com a ajuda do neto, o agente de vendas Natanael de Souza Alecrim.

Os descontos começaram em maio de 1996, no valor de R$ 2 por mês, e se estenderam até abril de 2025, quando chegaram a R$ 30,36 mensais. Ao longo do período, os valores retidos somaram R$ 4.194 — sem correção monetária.

No início, os lançamentos apareciam sob a rubrica genérica “consignado”. A partir de 2008, passaram a ser identificados como “Contrib/Sind Contag”. A sigla faz referência à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), entidade que reúne cerca de 4 mil sindicatos rurais em todo o país.

Procurada pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no portal G1, a Contag apresentou um termo de filiação supostamente assinado pela aposentada em 1994, que autorizaria os descontos. A família, no entanto, contesta a validade do documento.

“É algo que ela nunca aceitaria. Ela é uma pessoa cardíaca. Gasta muito com remédios, não faria sentido perder um dinheiro que faz falta para ela”, afirma o neto, indignado com a situação.

O caso de Lidia Clarinda chama atenção em meio às investigações sobre irregularidades no sistema previdenciário e pode ser um dos muitos exemplos de beneficiários que sofreram descontos automáticos sem consentimento claro ou consciente. A expectativa é que os órgãos competentes avancem na apuração e que haja responsabilização em casos comprovados de fraude.

Fonte: G1

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