O que começou como uma busca angustiante terminou em tragédia na manhã desta terça-feira (21), em Lavras. O corpo da adolescente Evellyn Cristine Firmino da Silva foi localizado por voluntários na região da igrejinha da Ponte Alta, após dias de mobilização intensa da população.
O desfecho, já apontado após a confissão do namorado da vítima, escancara não só a brutalidade de um feminicídio, mas também um sentimento coletivo difícil de ignorar: o de abandono. Familiares, amigos e moradores acompanharam dias de angústia com a sensação de que a resposta das autoridades não acompanhava a urgência do caso.
Durante o período de buscas, houve atuação das forças de segurança pública, com diligências e levantamentos sendo realizados. No entanto, entre familiares e moradores, ficou a percepção de que, diante da gravidade do caso, poderia ter havido uma presença mais intensiva e contínua nas ações ao longo dos dias. A expectativa da comunidade, em momentos como esse, é de uma atuação ainda mais visível e próxima, acompanhando a urgência e a comoção gerada.
Enquanto isso, quem esteve nas trilhas, enfrentando a mata e persistindo nas buscas, foi a própria comunidade. Voluntários, motociclistas e moradores se organizaram, mobilizaram recursos e seguiram até encontrar o corpo da jovem. Um esforço que, ao mesmo tempo em que mostra a força coletiva, reforça a cobrança por maior protagonismo institucional em momentos críticos.
A revolta também cresce diante do silêncio de figuras públicas durante todo o período de buscas. Em um cenário que exigia posicionamento, apoio e presença, o que muitos relataram foi ausência.
Lavras hoje não vive apenas o luto. Vive também a indignação. A dor pela perda de Evellyn se mistura à cobrança por justiça e por respostas mais firmes diante de um caso que mobilizou toda a cidade.





