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Usuários insatisfeitos pedem mudanças no transporte público de Lavras

27/11/2017
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Responsável pelo serviço de transporte público de Lavras nos últimos 15 anos, a empresa Turilessa/Autotrans passará a viver um impasse a partir do próximo dia 12 de dezembro, quando se encerra o contrato de concessão do serviço no município. Ele havia sido firmado em 2002, na gestão do ex-prefeito Carlos Alberto Pereira.

Enquanto a Prefeitura Municipal não se pronuncia sobre a possibilidade de prorrogação ou finalização do contrato de concessão, o que se sabe, na prática, é que o Departamento de Trânsito tem um estudo de Mobilidade Urbana em andamento desde janeiro e que deverá ser concluído em abril do próximo ano. Nele constará aspectos a serem avaliados com relação ao transporte público no município.

Dentre os maiores problemas enfrentados pelo setor, estão o preços da passagem, atrasos nas linhas e o número insuficiente de veículos disponíveis. A Turilessa/Autotrans conta hoje com 40 veículos disponíveis na cidade, sendo que os últimos sete veículos da frota foram adquiridos em 2013.

Com o crescimento exponencial do município, que hoje conta com mais de 115 bairros, faz-se necessário um mapeamento da situação enfrentada por moradores atendidos pelo serviço de transporte público. Na última década, muitos moradores precisam se deslocar para outros bairros para poderem conseguir transporte, pois o serviço não é oferecido a eles.

Usuários também reclamam da longa espera por ônibus em bairros e na região central. Uma cena comum também nos últimos anos é superlotação de veículos em horários de pico, o que causa desconforto para usuários de várias faixas etárias, inclusive idosos que se arriscam a viajar de pé com o ônibus em movimento. Muitos abrigos para passageiros também se encontram em estado de abandono na cidade.

Panorama

Nos últimos anos, a Turilessa/Autotrans também não cumpre o que determina uma lei municipal de maio de 2013 de autoria de um vereador da cidade, que proíbe que os motoristas também exerçam a função de cobradores nos ônibus da empresa. Segundo o autor da lei, a prática diminuiu os postos de trabalho e provocou acumulo de função ao motorista.

No ano passado, o líder do prefeito na Câmara Municipal, vereador Marcos Possato, garantiu que o prefeito José Cherem promoveria um amplo estudo das condições de funcionamento do serviço de transporte público. A promessa, contudo, não vingou.

Com o encerramento do contrato de concessão da Prefeitura Municipal com a Turilessa/Autotrans, abriria a brecha para contratação de uma nova empresa ou mesmo duas para o transporte público na cidade, o que, em tese, estimularia a concorrência e elevaria a qualidade do serviço aos usuários.

Outro fator que deverá ser levado em conta com o final do contrato de concessão diz respeito ao aumento das passagens. Previsto em contrato, o estabelecimento do reajuste da tarifa acontece atualmente mediante um acordo firmado entre a Prefeitura Municipal e Turilessa/Autotrans. Alguns vereadores defendem, no entanto, que o aumento da passagem passe a acontecer mediante votação e aprovação do Legislativo.

A Turilessa/Autotrans não teve o seu contrato de concessão renovado em Varginha este ano devido a vários problemas enfrentados por usuários, como a falta de abrigos nos pontos de ônibus, atrasos constantes das linhas e a demora nos trajetos. Um cenário que nada difere daquele enfrentado por muitos moradores lavrenses.

Cortes

Em 2012, o usuário do transporte público em Lavras desembolsava R$2,15 por sua passagem. Para usar o mesmo serviço hoje em dia esse valor sai por R$ 3,30. Tiradas as consequências impostas pela inflação e a crise econômica, o fato é que grande parte do público contesta tal valor devido à má qualidade do serviço oferecido. Há rumores de que um novo aumento da tarifa poderia ocorrer este ano, sendo que a mesma passaria a valer R$ 3,75. É uma possibilidade real tendo em vista os recentes aumentos de combustíveis.

Os usuários também perderam benefícios oferecidos pela própria empresa nos últimos anos. Em 2014 foi a vez da tarifa especial (meia passagem), que era mantida nos domingos e feriados. Implantada em 2013, a “Passagem Integrada Bairro a Bairro”, que permitia aos usuários “Cartão Autopass” se deslocar gratuitamente numa segunda viagem no espaço de uma hora, também foi abolida pela empresa.