Ufla aposta na economia de gastos e parcerias para driblar corte de verbas federais

20 de novembro de 2017
Universidade deverá implantar seu Parque Tecnológico no próximo semestre de 2018.

A maré não está para peixe. O ditado nunca caiu tão bem quando o assunto é a grave crise econômica, política e ética que o Brasil atravessa. Com severos cortes de verbas praticados pelo Governo Federal em seu orçamento, a Universidade Federal de Lavras (Ufla), que entre 2008 e 2015 viveu um crescimento espantoso, luta para continuar a se manter como umas das maiores instituições públicas de Ensino Superior do país.

O segredo, segundo o reitor da instituição, o professor e pesquisador José Roberto Scolforo, é manter o foco, “independente dos erros e acertos dos governos federais nos últimos meses”. Na visão dele, a Ufla fez o dever de casa, de olho na crise que se avizinhava desde o ano passado. Para ele, os próximos dois anos podem ser ainda mais sombrios.

“O ano 2018 será um ano marcado por uma nova queda de arrecadação por parte do Governo Federal e o endurecimento da crise financeira. Teremos os investimentos zerados na área do Ensino Superior. No ano de 2019 haverá um novo Presidente da República diante de uma crise econômica e moral. O candidato que ganhar precisará dar conta do déficit público do país. O horizonte deve melhor somente em 2020”, avaliou o reitor em entrevista ao site Lavras 24 Horas.

Mesmo diante de um cenário nada animador, Scolforo se autodenomina um “otimista inveterado” e que vê nas dificuldades impostas um estímulo para continuar a acreditar no crescimento da Ufla. O reitor também fala que todos os serviços de saúde, alimentação e administração têm sido mantidos com excelentes níveis de qualidade, sempre com um índice de funcionários terceirizados pagos com recursos calculados dentro do orçamento da instituição.

Ele também citou as obras de infraestrutura da instituição que trouxeram ganhos, entre elas, a estação de tratamento de esgoto e a estação de tratamento de água, cujos materiais químicos reaproveitados têm gerado uma economia de R$ 7 milhões anuais para a instituição. O próximo passo será a construção de uma usina fotovoltaica, baseada em energia solar, que visa garantir uma economia de R$ 5 milhões anuais.

Scolforo frisou também que a Ufla sempre foi uma instituição plural e apartidária, e tem contado com o apoio de políticos para liberação de emendas parlamentares que beneficiem a instituição, como no caso dos deputados federais Reginaldo Lopes e Carlos Melles.

“Se eu não consigo recursos para a educação superior com políticos lavrenses, eu tento buscá-los em outro lugar. Sempre respeitei o fato deles designarem recursos públicos para outros setores de nossa cidade, como a saúde ou a educação básica. O que não posso fazer é ficar inerte. Eu vou, bato na porta. Se ele se fecha, tento outra vez até ela abrir”, disse.

Parcerias

“Não sou, nem nunca serei candidato a cargo eletivo na cidade. Também não assumirei qualquer cargo na iniciativa privada ou no serviço público. Meu compromisso é com a Ufla”, afirmou reitor da instituição, professor José Roberto Scolforo.

Segundo Scolforo, outro fator que tem beneficiado a Ufla é baseado no Termo de Execução Descentralizada (TED), cuja iniciativa tem propiciado a liberação de recursos federais para diversas áreas dentro da universidade, tais como Meio Ambiente, Esporte, Saúde, Ciência e Tecnologia. Outra aposta é o fortalecimento da capacitação de professores em cursos de pós-doutorado, bem como o incentivo e o aproveitamento de projetos destes mesmos profissionais em áreas governamentais e da iniciativa privada. Um movimento que tem estimulado a competitividade e o crescimento do consumo em diversas áreas.

O reitor também falou sobre a parceria firmada entre a Ufla e empresas estatais para o desenvolvimento de projetos que visam à aplicação de receitas na ordem de 2% destinadas a melhoria de serviços e tecnologia da instituição. Foi desta maneira que um investimento da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) permitiu a substituição de todas as lâmpadas tradicionais da área externa e parte da área interna do campus universitário por lâmpadas de LED. Uma economia de R$ 1,7 milhão por ano. O próximo passo da parceria será terminar a substituição das lâmpadas internas do e dos ares-refrigerados defasados de todo o campus.

Ações dessa natureza também envolvem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) em parceria com a Direção Executiva da Ufla. Recursos da ordem de R$ 4 milhões possibilitaram a compra de equipamentos para os Departamentos das Engenharias e Medicina. Outra aposta é o Parque Científico e Tecnológico que deverá ser inaugurado no primeiro semestre do próximo ano, o que deverá atrair diversas empresas baseadas em tecnologia.

Scolforo disse que o resultado de todo este trabalho é fruto não das ações do reitor, mas de forças conjuntas exercidas por professores, técnico-administrativos e universitários. “Trata-se de uma construção coletiva. Isso é ter orgulho de ‘ser’ Ufla. Precisamos dar um exemplo ético, sem partidarismo político. Trabalhar pelo bem comum é a nossa meta”, disse.

O reitor também rechaçou os boatos de que seria candidato a prefeito de Lavras nas próximas eleições. “Não sou, nem nunca serei candidato a cargo eletivo na cidade. Não sou, nem nunca fui filiado a qualquer partido político. Também não assumirei qualquer cargo na iniciativa privada ou no serviço público. Meu compromisso é com a Ufla. Quero neste momento encontrar mais tempo para poder ficar mais com a minha família”, finalizou.