Mortes e prejuízos causados pela chuva deixam Minas Gerais

5 de dezembro de 2017

Inundações, enxurradas, deslizamentos de terra, cidades ilhadas, pessoas desaparecidas em alagamentos e mortes. Esse é o resultado da chuva que atinge diversas cidades mineiras há pelo menos três dias. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma idosa morreu em Ribeirão das Neves depois que a água invadiu sua casa. Em Vespasiano, um homem está sendo procurado depois de ser arrastado pela correnteza e cair em uma vala de esgoto. Na Zona da Mata, onde é mais grave a situação, pelo menos quatro pessoas estão desaparecidas depois de serem arrastadas pela enxurrada durante uma tempestade. Com os últimos números, somente no atual período chuvoso já são cinco mortes confirmadas, além das cinco pessoas desaparecidas.

Do ponto de vista da infraestrutura, os danos se acumulampor todo o estado. Na capital, deslizamentos deixaram ao menos 67 famílias desabrigadas. Em Contagem, uma linha férrea foi interditada após desmoronamento. Na Zona da Mata ainda não foi possível mensurar os prejuízos, mas pelo menos seis cidades vizinhas enfrentam graves problemas (veja mapa), sendo que algumas estão ilhadas. Em relação às inundações, o quadro mais crítico é o de Rio Casca, onde uma ponte caiu e uma rodovia foi interditada. O alerta continua, por causa da previsão de mais temporais nos próximos dias.

Nas cidades da Zona da Mata, equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Respostas a Desastres (Bemad) do Corpo de Bombeiros concentram esforços para ajudar no resgate de vítimas ilhadas na região. Em Urucânia, os militares fazem buscas por duas mulheres e duas crianças que desapareceram na enxurrada. Um Posto de Coordenação de Comando e Controle foi montado em Ponte Nova, onde se concentram ações nas cidades próximas.

Na cidade de Rio Casca, a água invadiu casas e carregou um trecho da MG-329, ligação com Ponte Nova. Ponte dentro do município também foi interditada após desabamento parcial. Imagens feitas por moradores da cidade impressionam. A água subiu a mais de dois metros de altura. Carros também foram submersos e ficaram presos no alagamento. O município está sem energia elétrica e internet.

Em Piedade de Ponte Nova, segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), as águas do Córrego dos Martins transbordaram e atingiram diversas moradias na parte baixa da cidade. Deslizamentos também foram registrados e casas foram atingidas. Famílias foram encaminhadas para moradias de amigos e parentes. A distribuição de água potável foi afetada.

Inundações também foram registradas em Santa Cruz do Escalvado, onde até prédios públicos, como o da prefeitura e uma unidade da Polícia Militar, ficaram alagados. Segundo a Cedec, o Ribeirão Escalvado saiu da sua calha e atingiu 2,60 metros de altura. Casas ficaram encobertas e famílias ilhadas e tiveram de ser retiradas por funcionários da prefeitura local.

A situação das cidades preocupa o governador Fernando Pimentel (PT). Após sobrevoar ontem Ribeirão das Neves, na Grande BH, acompanhado dos ministros das Cidades, Alexandre Baldy, e da Integração Nacional, Hélder Barbalho, Pimentel anunciou medidas emergenciais para o estado. “Em um primeiro momento, estávamos preocupados com as cidades aqui do arco metropolitano, como Ribeirão das Neves, Caeté, em especial, e Pedro Leopoldo, em função da tromba d’água recente. Mas, agora, já temos uma situação mais grave ainda no Leste de Minas. Rio Casca está totalmente alagada. Naquela região já temos municípios em situação muito grave. O que estamos discutindo são providências que vão ter que ser tomadas. A Defesa Civil estadual já está mobilizada. Vamos montar um Posto de Comando e Controle lá na região”, anunciou.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Antônio Arantes, afirmou que o posto avançado vai concentrar as ações nos municípios atingidos. “O que nos preocupa hoje, com a chuva da madrugada desta segunda-feira, é a situação de Rio Casca, Abre Campo e municípios vizinhos. Tivemos cheias nos rios, algumas comunidades ilhadas com interrupção de energia e de fornecimento de água. Então, nosso olhar está dirigido para eessa população agora. A Defesa Civil está implantando um Posto de Coordenação de Comando e Controle para as primeiras ações ordenadas do estado, com Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Copasa e Cemig”, disse o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Antônio Arantes.

Fonte: Portal Uai