Fiscalização tira de circulação ambulante que há 25 anos atua em Lavras

18 de março de 2017
Marcos Evangelista Martins: sem lugar para vender seus abacaxis na cidade. Marcos Evangelista Martins: sem lugar para vender seus abacaxis na cidade.

A Prefeitura Municipal de Lavras, por meio da Assessoria Especial de Desenvolvimento Econômico, órgão municipal responsável pela fiscalização do setor da Indústria e Comércio do Município, tirou de circulação essa semana uma verdadeira lenda do mercado de ambulantes da cidade Lavras: Marcos Evangelista Martins, o tradicional vendedor de abacaxis na zona norte.

Esse foi apenas um dos efeitos em cascata desencadeados pela nova medida adotada pela administração municipal essa semana, quando fiscais fizeram várias atuações de advertências a ambulantes na região central. A resolução tem gerado polêmica entre moradores e empresários que apoiam ou não a iniciativa. Muitos vendedores informais de frutas, por exemplo, acabaram migrando para o Mercado Municipal da cidade de forma definitiva após a série de fiscalizações.

Há 25 anos no mercado da informalidade estabelecido na rua Barão do Rio Branco, próximo a Praça Dr. Jorge, Marcos Evangelista é casado, pai de três filhos, tendo dois CD’s de música gospel gravados. Filho de um produtor da fruta cultivada no Estado do Espírito Santo há 50 anos, ele conta que trabalha por uma temporada de seis meses a cada ano para dar conta de comercializar a produção.

Em entrevista ao Lavras 24 Horas, “Marquinho do Abacaxi”, como é popularmente conhecido, afirmou que sempre sofreu perseguição por atuar na rua para vender seu produto, e que seu pai chegou a pagar alvará para que ele pudesse continuar no local. Na quarta-feira, dia 15, ele foi notificado pela fiscalização para baixar as portas do veículo onde vende os abacaxis em um prazo de 24h. O veículo também deverá ser retirado do local. Ele afirmou ter sido aconselhado pelos fiscais a montar seu negócio no Mercado Municipal, mas se negou, pois seu pai trabalha com o mesmo produto no local.

“Fiz uma carta para que eles me dessem 30 dias para resolver o meu problema, mas ninguém fez nada. Considero a minha história como um patrimônio aqui da cidade. Pretendo fazer um abaixo-assinado com o apoio da população”, desabafou.

Para resolver o problema de forma temporária, uma empresária emprestou um cômodo para que Marcos Evangelista possa terminar de vender seus abacaxis. “Eu acho que poderíamos encontrar uma saída viável para todos os ambulantes que atuam na cidade. Precisaria ter um espaço destinado para quem quer trabalhar e sustentar suas famílias”, finalizou.