Lavras: Escritora aborda atmosfera infantil em seu livro de estreia

13/06/2018

 

O universo infantil marca o livro de estréia da escritora mineira Valéria Cristinas (foto), 41 anos, na literatura produzida em Lavras. A autora integra a coletânea “Novas Contistas da Literatura Brasileira”, que reúnem mulheres que escrevem contos.

A seleção foi feita mediante edital publicado na internet pela Editora Zouki de Porto Alegre. Ela e outra autora do Vale do Jequinhonha foram as únicas mineiras a participar do projeto. O conto que integra a coletânea intitula-se “O menino que esperava”. O livro ainda não tem data de lançamento.

“A narrativa se baseia na expectativa de um menino a espera da mãe e da leitura que ele faz da atmosfera social em que habita. Tudo é baseado em reconstruções da minha própria infância”, contou Valéria Cristinas á reportagem do Lavras 24 Horas.

Segundo ela, a experiência da escrita começou na adolescência com a poesia, depois em 2009 passou a escrever para fazer uma catarse de suas memorias e experiências. “Queria trazer à tona aspectos que observava na minha infância pobre, das diferenças sociais. Eu escrevia e deixava guardado ate que apareceu esse edital e resolvi tentar”.

Valéria Cristinas revelou que seus autores de cabeceira foram Lima Barreto, João do Rio, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Carolina de Jesus, Conceição Evaristo. Atualmente ela faz mestrado na área da Educação e reside em Lavras há cinco anos.

“O conto veio de maneira a registrar a trajetória de um menino como vários outros, que é acolhido na casa de um irmão enquanto espera pela mãe. Ele relata a atmosfera de espera, frustração e expectativas de uma possível mudança. O conto se passa em Contagem e sua realidade industrial e mostra como essa atmosfera atinge as relações humanas”, completou.

A escritora atua como analista de serviços sociais do Sesc de Lavras promovendo ações na área da arte e da cultura. Ela também é criadora do Projeto Muroteca, que possibilitou a doação de livros e promoção da leitura na periferia da cidade.

Valéria Cristinas afirmou que houve muitos avanços graças à força que o feminismo ganhou na sociedade nos últimos anos, mas fez ressalvas ao cenário atual. “Há uma abertura maior para as mulheres na literatura principalmente pela possibilidade e liberdade dada pela Internet. Mas muitas editoras permanecem fechadas, classistas e não muito preocupadas em incluir a mulher, principalmente as mulheres negras e menos favorecidas”, finalizou.