Associação recém criada em Lavras promete fortalecer segurança pública

16 de abril de 2017
Entidades estiveram reunidas para a criação da Associação Lavrense para Assuntos de Segurança Pública. Entidades estiveram reunidas para a criação da Associação Lavrense para Assuntos de Segurança Pública.

Recém-criada na semana retrasada, a Associação Lavrense para Assuntos de Segurança Pública (ALASP) surge como uma nova frente que pretende unir forças com várias entidades na busca por ações e soluções na área de segurança pública do município.

O objetivo é dar suporte complementar aos órgãos de Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros com a logística necessária e suficiente, por meio de convênios para recebimento e aplicação de verbas na área da segurança pública. Outro foco é promover maior interação entre a sociedade civil e a polícia, bem como auxiliar a Justiça na fiscalização do cumprimento de penas aplicadas ou que tenham que ser cumpridas.

Uma das autoridades que encabeçam o projeto é a juíza da 2ª Vara Criminal e Execução Penal, Drª. Zilda Maria Yossef Murad Venturelli. Ela esclareceu que a criação da ALASP permitirá que o dinheiro do fundo destinado às penas alternativas de detentos oferecido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais seja mais bem aproveitado em projetos que beneficiem não só a comunidade, mas também na ressocialização dos detentos e entidades que tenham projeto na área.

Qualquer pessoa poderá fazer parte da nova associação, bem como empresários e pessoas entidades interessadas em integrar o projeto. A iniciativa também é uma porta aberta para a iniciativa privada em vista da falta de recursos financeiros junto ao Estado.

Drª. Zilda Maria Yossef Murad Venturelli mais uma vez citou a precariedade da infraestrutura do presídio na cidade, que hoje se encontra superlotado. As celas acomodam hoje 280 detentos, sendo que sua capacidade máxima é para 120. A entidade tem viaturas sem condições de funcionamento e também sofre com a falta de câmaras de segurança, fato que tem permitido a entrada de objetos como celulares e drogas jogados por pessoas por cima da rede de proteção no muro em torno ao prédio.

Nova Frente

A juíza também luta pela implantação da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), criada em 2006 no município, mas que não saiu do papel. Ela garantiu que o órgão passará a funcionar este ano em um dos prédios da antiga Rede Ferroviária Federal (RFSA), na zona norte da cidade. O órgão é integrado a um projeto do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e visa beneficiar a recuperação de detentos que estão cumprindo pena no município através de projetos sociais.

“Esse projeto beneficia não só o detento, mas diminui os gastos do Estado com ele. O preso tem mais chance de se recuperar do que no sistema tradicional, onde o índice de reincidência criminal do preso é de 90%. No caso da APAC, esse índice cai para 20%”, avaliou a juíza.

Por intermédio da magistrada, os presos do Presidio de Lavras já exercem atividades no munícipio, atuando na limpeza de lotes, de ribeirões, bueiros e outros locais onde existe a possibilidade do mosquito transmissor da dengue se reproduzir. Alguns detentos também trabalham na recuperação de prédios da antiga RFSSA na zona norte. Todo o trabalho permite redução da pena de cada detento.

Para a juíza, a criação da APAC permitirá que os detentos criem outros valores, na medida que os detentos ganham autoestima, confiança e responsabilidade em suas atividades. Nesse programa os presos recebem também atendimento espiritual e psicológico.

“O preso precisa ser tratado como um ser humano. No sistema prisional tradicional ele é tratado como um número. Esse sistema não recupera ninguém”, finalizou a juíza.