18:23
18/05/2012

ÁRVORES URBANAS

22, janeiro 2012 - 1:34:16

Alessandra Teixeira da Silva

Engenheira Florestal

 

           

Cassia rosa

As árvores urbanas trazem inúmeros benefícios entre os quais se destacam a purificação do ar, equilíbrio térmico, redução de ruídos, qualificação financeira e paisagística dos imóveis, atração de fauna silvestre, opções de lazer e descanso para a população e valorização histórico-cultural.

            Porém, além de implantar a arborização há necessidade de planejar desde a escolha correta das espécies a utilizar, de acordo com sua adaptabilidade ao meio urbano, características morfológicas tais como uma boa arquitetura de copa, espaço disponível para seu desenvolvimento (horizontal e vertical), até uma eficiente condução e manutenção, sendo a correta realização de podas, um dos principais cuidados a serem tomados. Os modelos arquitetônicos são diferenciados para cada espécie devido às suas exigências ecológicas distintas.

             Pode-se adequar as práticas silviculturais às características arquitetônicas de cada espécie, a fim de obter os objetivos propostos, com um mínimo de custos. Espécies de crescimento ortotrópico ( situação em que a espécie apresenta um espaço horizontal limitado para crescer) são beneficiadas com a prática da poda, já que aprimoram o modelo de crescimento, valorizando o fuste, ao contrário das de crescimento plagiotrópico ( espaço vertical limitado) que necessitam de condições específicas para desenvolver um fuste reto. Como essas características são comuns a indivíduos de mesma espécie, deve-se então ter conhecimento do modelo arquitetônico das mesmas ao se realizar uma seleção para implantação em ambiente urbano de espaço limitado.

            As árvores urbanas, principalmente as das calçadas das vias públicas, vivem em um ambiente inóspido, pouco acolhedor a qualquer forma de vida. Os solos sob as calçadas têm geralmente péssimas propriedades físicas e químicas, a impermeabilização excessiva prejudica a saúde das raízes e a poluição reduz seu tempo de vida.

            Por serem absolutamente necessárias ao equilíbrio do ambiente urbano, ainda mais em cidades tropicais, as árvores plantadas nas calçadas bem como as de praças públicas, precisam ser objeto de cuidados especiais, com manutenção e monitoramento sistemáticos. Sem isso, não há arborização satisfatória e os plantios realizados, como mera formalidade de cumprimento da obrigação do poder público, são apenas mais um capítulo numa história na qual a morte será breve e anunciada.

            Apesar das limitações do ambiente e do descaso da sociedade, as árvores urbanas resistem. Mas dificilmente superam os danos de corte de raízes para implantação ou conserto de redes subterrâneas, as podas criminosas justificadas pela necessidade de se conviver com uma fiação aérea caótica e desprotegida, e às agressões cotidianas de pessoas desinformadas e inconseqüentes. Feridas de morte, as árvores já não podem fornecer os benefícios que nós esperamos e passam a constituir um risco àqueles que mais precisam delas…. As árvores no meio urbano apresentam uma vida útil em torno de 40 anos dependendo da espécie, isto quer dizer que durante sua vida esta espécime sofreu limitações ao longo das fases, devido às interferências do meio urbano como, poluição, ventanias, podas drásticas, vandalismo, estruturas arquitetônicas dentre outras. Com isto, à medida que uma árvore envelhece é necessário um adequado monitoramento para que não tragam riscos à população. Ventos que chegam até50 quilômetrospor hora de velocidade podem ser fatais para árvores com idade acima de 30 anos. Encontramos hoje muitas árvores comprometidas no meio urbano, que podem a qualquer momento caírem causando acidentes graves com morte de indivíduos. “Erradicar” árvores hoje pode até ser uma solução emergencial para algumas das árvores em perigo iminente.

             Algumas medidas precisam ser adotadas, integrando um plano de arborização urbana capaz de ordenar as podas realizadas para manutenção de rede, com uma real supervisão e avaliação de resultados, dando prioridade à sanidade e à segurança das árvores, além de prever operações de arboricultura, com limpezas periódicas para retirada de galhos secos e apodrecidos, tocos remanescentes de cortes anteriores, parasitas e epífitas, combate a doenças e pragas e aplicação de técnicas de dendrocirurgia para corrigir as conseqüências de danos anteriores. Cortar uma árvore é a último procedimento que se deve realizar antes de se fazer uma poda, para diminuir o peso sobre o tronco, e se instalar um escoramento. No entanto, há situações em que os cortes são necessários para assim evitar tragédias.

            É necessário incorporar a arborização urbana nas campanhas educativas e ter normas eficazes e fiscalização eficiente para coibir as agressões às árvores públicas.

            “Plantar árvores dentro de um planejamento torna-se um grande investimento à população”.

 

Gostou? Compartilhe com seus amigos!
Facebook Twitter Email Linkedin Digg Delicious

GUIA COMERCIAL - DESTAQUES

O guia comercial mais completo de Lavras e região! Confira alguns destaques!

Classificados

Ver todos classificados
Lavras24horas - notícias em tempo real.