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Encontro-me em Belo Horizonte com o Dr. Wagner Eduardo Ferreira, do GastroCenter, médico e político, que foi quem me diagnosticou anos atrás um adenocarcinoma, ou seja, um câncer no meu estômago, extirpado, com êxito, pelo Dr. Pimenta, o Angerson Ceccato, lá no Biocor. Num país, em que segundo as estatísticas somente em 2009, morreram 8.467 homens, vitimados por este mal, ele faz questão de ressalvar sempre que sou um milagre da Medicina e principalmente de Deus. Dr. Wagner é um médico moderno, mas que não abandonou certos preceitos antigos de se preocupar com seus clientes. Como político foi secretário adjunto no Governo Aécio Neves e trabalhou muitos anos em Santo Antônio do Amparo, onde é idolatrado pela população e, como me confidencia uma amiga, se elegeria facilmente prefeito.
Notícias que chegam de todos os cantos confirmam que os deuses da Natureza resolveram exercer plenamente seus atributos, positivos ou negativos neste Verão. Principalmente os ligados as águas que despencam em quantidades monumentais sobre as nossas cabeças. E sobre o chão, ressaltando o antigo ditado popular de “que água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. A maior parte dos desastres naturais que ocorrem nesta temporada é proveniente desta luta, entre a Natureza e as atitudes insanas dos humanos. Construímos prédios luxuosos a beira de barrancos, cortando o fluxo natural das águas. Bairros e mais bairros em regiões tradicionalmente alagadas, às margens de rios e córregos. Modificamos o ecossistema impermeabilizando o chão com asfalto e menosprezamos a canalização das águas pluviais. Esperar o que?
No Rio de Janeiro, o edifício Liberdade, construído há setenta anos, no centro do Rio de Janeiro, desaba e arrasta outros dois menores. Pessoas mortas, desaparecidas, mais uma tragédia brasileira. Começa a procura aos culpados. Melhor ficar quieto, porque todos temos culpa no cartório. Ninguém quer se preocupar em fiscalizar obras quando são executadas e nem no decorrer de sua existência. Durante anos trabalhei em Furnas-Centrais Elétricas S.A., em uma equipe que verificava tudo o que foi executado, ponto por ponto em subestações em Itutinga, Brasília, Cachoeira Paulista, Poços de Caldas e Rio de Janeiro. Sei os efeitos que essas ações causam principalmente para os construtores.
Em razão de um temporal perdi a palestra do meu amigo Maurício Andrés Ribeiro, em Belo Horizonte, na Praça da Liberdade, bem perto de onde me hospedava. Aos 63 anos, gostaria também de encontrar-me com o Eduardo Lacerda, que foi quem me propiciou uma ativa participação no cinema mineiro e que não vejo há muitos anos.
Perco e acho um “pen drive”, onde comecei a escrever meu romance, “Meus amores, Mariana e Bruna”. Graças a Santa Bárbara, a Iansã, que nos protege dos raios e trovões nas tempestades de verão e de coisas corriqueiras…
E para terminar um pensamento do escritor italiano Humberto Eco, muito próprio para o momento em que vivemos: “Justificar tragédias como “vontade divina” tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas.”















